A sede seca-me a boca
no deserto da cama vazia.
A partilha é vontade
de preencher o lugar,
enquanto o sono não chega.
Fica o sonho,
deitado a meu lado.
Imagem : karen Hollingsworth
Aqui estão as minhas escolhas do que considero melhor em Poesia,Prosa Poética e Fotografia. Domingo é dia de trabalhos de minha autoria.
A sede seca-me a boca
no deserto da cama vazia.
A partilha é vontade
de preencher o lugar,
enquanto o sono não chega.
Fica o sonho,
deitado a meu lado.
A poesia é um cais
onde o poeta sempre aporta
e disfarça em palavras
o que não ousa dizer
nem fazer.
Encerrar ciclos faz parte de viver,
esquecer é mais difícil:
de tudo o que foi,
algo permanece.
Autor :BeatriceM 2026-08-02
Imagem:Marta Bevacqua
O sentir, por vezes,
tantas vezes,
não é partilhado.
Por vezes,
é apenas um sincronismo
de olhares
que não foram vividos.
Autor : BeatriceM 2026-07-26
Imagem :Anna O.
Acho que o tempo escasseia,
diluindo-se em dias.
Não sei quantos ainda me serão dados.
Não conseguirei relatar o que desperdicei sem saber,
nem descrever o que ficou por dizer,
nem o que disse sem pensar — e sem querer.
Talvez ainda me sobre tempo
para, numa qualquer casualidade,
numa curva do destino,
ainda te conseguir encontrar
e levar comigo, em memória crua,
a tua presença, que ainda
predomina em mim.
Já não te deitas na minha cama
paradoxalmente, o sono também não
a minha cama é apenas cama
metamorfoseada nos contornos invisíveis
de corpos unidos
de um tempo que ficou no pretérito.
Autor : BeatriceM 2026-07-12
Imagem:Rosie Hardy
Somos transeuntes
num mundo desencantado
onde o amor
parece não ter morada
nem pátria
mas apenas indigência.
O alvorecer rompe o dia
que nasce aprazível e morno.
A presença impõe-se:
é hora de agarrar a vida
e, em silêncio, agradecer.
A tua ausência
foi a minha carta de alforria ,
a minha liberdade.
Quando na memória surges
como neblina com cores,
as luzes de néon da rua
instigam-me, e saio para a noite,
calma e esperançada,
à procura de ti.
E sei:
é desvario
Autor : BeatriceM 10-05-2026
Imagem : Kelly Tan
Quem me tranquiliza
sobre o que haverá depois
do caminho palmilhado?
Quem me afasta os fantasmas
que me desabrigam à noite?
Quem me hospeda o medo
que me trespassa o corpo todo…
Em tempos destruí, sem pretender,
muito do que tinha
e nem sabia.
Sobrou, numa queda de emoções,
um silêncio
em ruínas surdas.
Catei nos destroços de mim
uma réstia de força
para conseguir reerguer-me
do fundo do abismo emocional.
A essência de outrora
ficou com mazelas incuráveis,
mas, ainda assim, recuperei —
e alguma coisa aprendi.