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quinta-feira, 15 de maio de 2025

Meus pensamentos são nómadas

Meus pensamentos são nómadas
se vagarosos
como a água que vem da montanha
e não sabe nada
do coração dos homens.
O meu, por exemplo,tem a leveza do vento
e corre para casa como se fosse
um cão que precede
os passos do dono.
.
Autor:Casimiro de Brito
Foto:Natália Stag

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Tempo Revisitado

 


O tempo a que sempre regressamos
e nos visita um instante

O tempo que depois destruímos
construímos e ali-
mentamos se nos
alimenta

O tempo onde a luz buscamos e
a morte sempre
encontramos

Autor : Casimiro de Brito
Imagem : Nikolina Petolas

sábado, 27 de agosto de 2022

Noite por ti despida

 

Adulta é a noite onde cresce
o teu corpo azul. A claridade
que me dás em troca dos meus ombros
cansados. Reflexos coloridos. Amei
o amor. Amei-te meu amor sobre ervas
orvalhadas. Não eras tu porém
o fim dessa estrada sem fim.
Canto apenas (enquanto os álamos
amadurecem) a transparência, o caminho.
A noite por ti despida. Lume e perfume
do sol. Íntimo rumor do mundo.

Autor : Casimiro de Brito
in "Solidão Imperfeita"
Imagem : Omar Ortiz

terça-feira, 9 de junho de 2020

finis


Se antes de abrir a boca 
Já está tudo dito 
Deverei abrir a boca? 

Enredar-me nas águas 
Se o mar consome as areias por toda a parte? 

Levantar-me alucinado 
Se as nuvens apagam o fogo 
Mais cedo ou mais tarde? 

Se não há nada para dizer 
Onde se acumulam as palavras 
Que não foram ditas? 

Autor : Casimiro de Brito 
in poesia do mundo 
Imagem:Alex Stoddard

quinta-feira, 26 de março de 2020

Aqui é Primavera


(se aí é outono, aqui é primavera) 

A mulher é terna
Como a relva
No Outono. Umas vezes

Queima, outras vezes
Afoga-me
No seu orvalho. 

Autor : Casimiro de Brito
Imagem : Mikael Aldo

sábado, 8 de dezembro de 2018

haicu

Pavel Mitkov

Amo-te mas não digas
a ninguém: o mar sabe
as estrelas também

Autor :Casimiro de Brito

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Da Palavra


Violeta Radkova

Silêncio: a palavra
respira. Corpo deitado
no mar. Silêncio de fogo
e música.

Silêncio: a palavra sangra
seu cântico de pó. Peixe
de sombra
mordendo as estrelas.

A palavra só. A palavra
refresca. Osso abandonado
na praia deserta.

A palavra de água
onde nego a morte. Pausa
do sol.

Autor : Casimiro de Brito
[Luz & sombra]

sábado, 12 de agosto de 2017

Nossa Memória


Nossa memória sempre foi a memória
dos monstros nosso enigmático testamento

de altas labaredas sempre foi
o caminho
devastado pelo sangue pela circuncisa memória
dos mortos pelo perfil
dos astros — nossa colorida volúpia
sempre foi dos monstros
a mais crua linguagem húmida fuga
desolada
através do tempo através do medo
de não sermos belos de não sabermos
esculpir na cinza o sopro
de tanta luz tão prostituída —

Autor:Casimiro de Brito, in "Negação da Morte"

Foto:Koval

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Da Música

Anka Zhuravleva

A musica derrama-se
no corpo terroso
da palavra. Inclina-se
no mundo em mutação
do poema.
A música traz na bagagem
a memória do sangue; o caminho
do sol: Lume e cume
de palavras polidas.
A música rompe um rio de lava
por si mesmo criado. Lágrima
endurecida
onde cabem o mar
e a morte.

Autor : Casimiro de Brito
in Canto Adolescente (Poesia 61.Faro.1ªed)

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Há dias em que morro de amor

Alyssa Monks

Há dias em que morro de amor.
Nos outros, de tão desamado,
morro um pouco mais.

Autor : Casimiro de Brito

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

...


Quem toca na espuma
mergulha no mar.
Assim comecei a amar-te.
Primeiro uma gota
invisível. Agora
no sexo que me abres
na saliva que me sacia
a terra toda e todos
os seus rios.

Autor : Casimiro de Brito
in AMAR A VIDA INTEIRA 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

4140



Amo-te antes do chá da manhã. Quando ele se aproxima. já o chá dos nossos corpos foi transformado no mais sedoso dos sabores.

Autor : Casimiro de Brito
FRAGMENTOS DO LIVRO DE EROS

terça-feira, 2 de junho de 2015

Da música

lilyenn

A musica derrama-se
no corpo terroso
da palavra. Inclina-se
no mundo em mutação
do poema.
A música traz na bagagem
a memória do sangue; o caminho
do sol: Lume e cume
de palavras polidas.
A música rompe um rio de lava
por si mesmo criado. Lágrima
endurecida
onde cabem o mar
e a morte.

Autor : Casimiro de Brito

Canto Adolescente

quarta-feira, 15 de abril de 2015

....

Anamika


Cidade caótica -
a borboleta atravessa a rua
com o sinal vermelho.

Autor : Casimiro de Brito

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Se o mundo não tivesse palavras

Katerina Plotnikova

Se o mundo não tivesse palavras
a palavra do mar, com toda a sua paixão,
bastava. Não lhe falta
nada: nem o enigma nem
a obsessão. Entregue ao seu ofício
de grande hospitaleiro
o mar é um animal que se refaz
em cada momento.
O amor também. Um mar
de poucas palavras.

Autor : Casimiro de Brito
In Livro das Quedas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

....

xelomy

 Há quantos anos me sento
a ver o mar? Amor

sem falhas


Autor : Casimiro de Brito

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

...

 Leo 1980

Ontem caminhei
Nos campos de chuva; hoje
chove dentro de mim.
.
Autor Casimiro de Brito

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Escrevo pássaros e nada sei


Escrevo pássaros e nada sei
do corpo deles nem das suas
inclinações – nada sei do amor
tão pleno de falsificações. Se canto,
se escrevo assim às escuras da noite
do meu lençol
é porque não sei incorporar
os ruídos, as veredas da casa
nem olhar para o lado
e ver por dentro
o rosto da amada, o sono
da filha – os ritmos da morte
que dão e só eles são
sabor
à passagem do tempo.


Autor :Casimiro de Brito in «Livro das Quedas

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Música



Como são belos os teus seios! Foram feitos
à medida das minhas mãos. Pousa-os
na minha boca e conta-me
a tua história. Não tens
história? Não tens noite nem vazio nem praia
branca? Fala-me então
do sol, da migração dos pássaros, da mansidão
das estrelas - fala-me de ti antes de possuíres
um nome, uma história. Sim
em qualquer parte
lançaremos os nossos corpos na relva; alfaias
efémeras; armas exíguas
ardidas na guerra. Como são belos
os teus seios! Trémulas
palavras. Deixa que neles eu me queime como quem
se deita num rio. Sinto
a terra mover-se. Iluminas
as águas e as estrelas. O percurso
é longo. O silêncio montanhoso. Debruço-me
na tua solidão.

.

Autor :Casimiro de Brito

Foto:fernando pedro

sábado, 24 de janeiro de 2009

Fuga

Alto estou a teu lado
no verão deitado

.
Alto no esplendor de possuir-te
e trocarmos silenciosamente
os frutos mais fundos da morte

.
Como se navegasse um rio
por dentro
e na tua fragilidade encontrasse
a minha força

.
Um caminho rigoroso de silêncio

.
Autor: Casimiro de Brito
Foto:Anikot