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sábado, 8 de novembro de 2025

Parto estelar


Contados os pontos
Finitos como eu
Mas belos no findar

Abstratos anjos gasosos
As verdadeiras nuvens
E o céu estão aí?

Reparar que é Hidrogênio
Também
Tão onipresente quanto Deus
Também
Tão logo se torna Hélio
Também
Nobre como deve ser

Um rajado
Na noite e no tempo
Vindo do infernal núcleo
Esgota contigo

No passado parecias eterna
No dia não parecias
Na noite perecias passageira

Humana luz
Resiste
Exaure

Orbitando no pretume onírico
É perfeita
Por esgotar-se
E brilhar o suficiente
Para parecer imortal

Autor : André Rosa

quinta-feira, 21 de março de 2024

O dia nasceu choroso

 


O dia nasceu choroso,
Pediu que não sem palavras.
Rompeu enfim.
Deixou duplicar-lhe os redemoinhos da cabeça,
Sem aspereza;
Só esse dia,
Só dessa vez.

Autor : André Rosa
Imagem : Emerico Imre Toth

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Colina



Foi razão de colina
Justo aquela
Hoje tão oca
Mas tão bonita
Nos seus vários tons de verde

Estará lá
Sempre alta
Para quem quer encurtar
A distância até o céu

Num vertiginoso
Gole de gravidade
O mundo para
Nada mais se torna
Tornando-se o próprio nada

Autor : André Rosa

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Hegel

    leszek paradowski   

Minto para tecer palavras,
Inventar dialetos.
Minto como um livro édito
E sua tradução de cogumelos.
Minto como a noite insuspeita
No alvorecer dos instintos.

Autor : André Rosa

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Flor e Espinho

Lukrecja Czerwonajcio

E vem o amor com seus rompantes
Suas ausências, seus sofrimentos
Trazendo seus zelos, suas impaciências.
E vem o amor, martelo agalopado,
Estragos irreparáveis
Com seus olhos de redenção.
E vem o amor, como se pétala,
Flor e espinho.
E vem o amor, como se desejado hóspede
De farta mesa.
E vem o amor, então.

Autor : André Rosa