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sábado, 13 de julho de 2019

O Segredo e o Mistério

Anya Anti.
.
Mistérios a pouco e pouco vão morrendo 
e extenuados de vigília os anjos
são afinal a sussurrantes sibilinas vozes
que desvendam adivinham segredos
atrás de sentinelas
cuja ferocidade é uma ironia de ternura…
Na palidez da luz
cercando uma velha cabeça
a quem um sono de embrião já tolda os olhos
sorriem enigmáticos os sonhos.

Autor : Edmundo Bettencourt
in 'Antologia Poética'

sábado, 9 de março de 2019

Aparição

Oriol Angrill Jordà
A mulher que por mim passou na rua, há pouco, 
foi uma coisa diáfana, gentil, 
cedo, a pairar 
na sombra dum jardim 
com flores, em baixo, ajoelhadas, 
ao senti-la na altura, 
e mandando-lhe o aroma em lágrimas, desfeito, 
para mantê-la em uma nuvem branca...
.
Mulher, coisa diáfana, vaga e bela, sem desenho,
logo fluido animando o colo duma nuvem, nuvem,
num ápice, trucidada pelo vento!


Autor  : Edmundo Bettencourt
in 'Rede Invisível' 


sábado, 17 de novembro de 2018

Dia

Com um peso de cegueira a esmagar-me o cérebro,
Face queimada pelo vento contra
E trôpego dos passos que venci em vão,
Atinjo a hora convencional da noite
Em que não há descanso já
Pois o sono é vazio de si mesmo
E mais que nunca durmo só por fora.

Desperto?
Passou um dia? Um ano?

É cinzenta de chumbo a claridade.
É cinzenta de chumbo a escuridão.

No tempo que não pára
Este minuto Aqui
Quanto espaço nos rouba?

Autor : Edmundo Bettencourt
in poemas de edmundo de bettencourt