domingo, 19 de julho de 2026

O tempo


Acho que o tempo escasseia,
diluindo-se em dias.
Não sei quantos ainda me serão dados.

Não conseguirei relatar o que desperdicei sem saber,
nem descrever o que ficou por dizer,
nem o que disse sem pensar — e sem querer.

Talvez ainda me sobre tempo
para, numa qualquer casualidade,
numa curva do destino,
ainda te conseguir encontrar

e levar comigo, em memória crua,
a tua presença, que ainda
predomina em mim. 

Autor : BeatriceM 2026-07-19
Imagem : Duong Quoc Dinh

8 comentários:

" R y k @ r d o " disse...

Bom dia:- Imagem de ternura
Poema lindo que muito gostei de ler
.
Votos de um domingo feliz
.

BeatriceMar disse...

muito obrigada, pela visita, por ler e pelo comentário. feliz domingo....

brancas nuvens negras disse...

O problema é que não conseguimos voltar atrás. Nunca sabemos de quanto tempo dispomos.

Cidália Ferreira disse...

Que poema tão bonito!!
-
"A U S E N T E S"... .
-
Beijos. Bom Domingo e uma ótima semana!

Eros de Passagem disse...

Uma reflexão intimista sobre a finitude, o arrependimento e a persistência do afeto face à passagem implacável do tempo, estruturada em três núcleos: a finitude, onde o tempo se dilui e perde a substância; o arrependimento pela incompletude, marcado pelas falhas do desperdício, do silêncio e do impulso; e a redenção pelo afeto. Apesar da escassez temporal, resta a esperança de um reencontro com o Outro. O poema encerra-se revelando que a memória dessa presença é o único tesouro que o eu lírico deseja levar consigo. Esta confissão urgente e melancólica prova que apenas o amor e a ligação humana desafiam a erosão dos dias.
Que tenhamos uma boa semana, Beatrice!

BeatriceMar disse...

pois não... obrigada!

BeatriceMar disse...

obrigada!

BeatriceMar disse...

agradeço reconhecidamente a excelente análise que fez ao meu poema. retribuo os votos de boa semana....