A esperança é um barco
A luz
é uma viagem
Autor : Alberto de Lacerda
Imagem : Pinterest
Aqui estão as minhas escolhas do que considero melhor em Poesia,Prosa Poética e Fotografia. Domingo é dia de trabalhos de minha autoria.
Veio um tempo de paz
Veio um tempo de guerra
Os comboios não paravam nas estações
As geografias não coincidiam com os mapas
Os meses eram anos
E os anos eram séculos
Veio um tempo de paz
Veio um tempo de guerra
E os soldados não tinham pátria
E as munições eram do mundo inteiro
Os países alargavam-se nas fronteiras
As geografias não coincidiam com os mapas
O amor, uma saudade uma impossibilidade
Os homens e as mulheres já não choravam
As lágrimas secas de tanta pólvora
E as bocas quietas
Sem palavras
Sem gritos
Sem sons
Porque os dias eram cinzentos
E os segundos já não cabiam nos relógios
Um tempo de paz
Um tempo de guerra
Autor : Cecilia Barreira
Nesse mundo farto de poesias
onde somos uma só a viver
há um proveito sublime e constante
em cada verso que vai nos conter
no desabrochar quando brota o olho em flor
nesse tudo pode florescer
na ventania que baila
que dança
a aura
a alma
num renascer tudo de novo
um recomeço
os recomeços são cheios de ilusões
...aos olhos
de uma flor...
que nasce.
Autor : Paulo Eduardo Campos
In “Na Serenidade dos rios que enlouquecem"
Imagem : Viktoria Haack Photography
A dor dos outros
Está fora da janela.
Entristece-nos
Como um ciclo de chuvas
Mas não nos molha os pés
Nem os cabelos.
Por vezes avistamo-la
Na soturna rua
Que a medo atravessamos.
Ou no café
Onde uma mão se estende.
Vamos então ao armário maior
Buscar o dó, a pena.
E ao porta-moedas
Rebuscar uns trocos.
Alguns de nós
Mas poucos, muito poucos,
Guardaram bagas
Que o tempo lhes ditou.
Verdades que hibernaram
No gelo das idades
E germinaram em caverna escura.
Só esses têm a coragem de ver
Que a dor dos outros
É sempre a nossa dor
Que anda em viagem.
E que, curvada,
Ao peso da bagagem
Nos persegue
E procura.
as tuas mãos, ou a tua pele, ou os teus lábios.
o teu olhar. o teu olhar me lembra sempre que
ou o teu cabelo, ou a maneira exacta como
o teu rosto. o teu rosto. ou o teu corpo que
adormece onde o vento não se esqueceu de
ou cada uma das tuas palavras, palavras,
palavras numa língua de céus impossíveis.
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras
e só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz a música
que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
Simples gota
dum suor que parece
apenas ansiedade,
mas corre pelo teu rosto
na febre das montanhas,
na loucura dos rios,
dos homens, das cidades,
vim acusar os réus da superfície
à justiça
das tuas tempestades.
1 comentário:
Vai-se esquecendo, lentamente, mas nunca se esquece tudo.