A tua ausência
foi a minha carta de alforria ,
a minha liberdade.
Imagem : Bogna Altman
Aqui estão as minhas escolhas do que considero melhor em Poesia,Prosa Poética e Fotografia. Domingo é dia de trabalhos de minha autoria.
A tua ausência
foi a minha carta de alforria ,
a minha liberdade.
Quem te viu como eu vi, em meus braços perdida,
sem dúvidas e enleios,
o corpo, como as curvas de uma estrada
por onde louco me fui em constante escalada,
do vale de teu ventre
aos cumes de teus seios...
Quem te sentiu assim, quando estávamos sós,
com teus braços em torno a mim
como cipós,
teus braços delicados, de repente possantes
e ardentes
como ondulantes
serpentes...
Ah! quem provou a força imprevista que punhas
nesse laço,
sentindo sobre mim, como estranhas picadas,
as tuas unhas
cravadas
em cada abraço...
Quem te teve como eu - toda, inteirinha -
(cada encontro era uma lua-de-mel, uma boda!)
quem como eu te sentiu minha,
com essa ânsia da terra sedenta a erguer no alto
os ramos,
estonteada de luz e calor,
entregando-se toda
à carícia molhada da chuva
sem pudor...
Ah! quem te teve assim, e te tem, e te quer,
nesta loucura imensa
que às vezes nem parece amor, parece doença,
e sente que possui de ti nestes instantes
a tua alma e o teu ser,
não precisa seguir mais... nem um passo que seja!
- teve tudo afinal que se quer ou deseja,
já podia morrer...
Apagaram o meu nome de todas as ruas
das listas organizadas dos heróis
das esquinas da escrita
do desenho.Não tenho nome agora
do meu título ninguém se lembra
a água da roupa das mulheres
a pedra onde bate a força das mulheres
junta sílabas de silêncio
um nome antigo se desenha
mãe
A luva no bolso
do antigo casaco de Inverno
atravessou inerte
todas as estações. Tantas
vezes entrou pela janela
o som da água molhando o passeio
enquanto nos vincos
do forro de lã reteve
a memória íntima das mãos.

Cantigas leva-as o vento
Nenhures as deve guardar
E vão da fama ao esquecimento
Se perdidas no momento
Em que se ouvem cantar
Quem me dera que o talento
Me ajude a fazer canções
Que o povo cante ao relento
Naquele contentamento
De quem vive as emoções
Não há nada mais bonito
Que ouvir um povo a cantar
Canções que se tornam um mito
No imaginário infinito
Da cultura popular
Cantigas leva-as o vento
E o vento sabe o que quer
E quem andar bem atento
Pode ouvir o próprio vento
Em contratempo a cantar
Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
Meu amor,
O oceano não precisa das tuas lágrimas para ficar mais salgado.
Nem os céus nem as estrelas ficarão mais luminosos
do que o brilho dos teus olhos.
mas a minha vida ficará mais deserta
sem o aconchego dos teus abraços
e o suspiro melancólico da tua voz em meus ouvidos.
Portanto, não se esqueça de que
o oceano sempre toca o céu no infinito das paixões,
assim como eu infinitamente enlaço o corpo da tua alma
despudoradamente através do erotismo que brota ávido
no corpo das minhas palavras.
Na copa das árvores
nota-se o movimento
que é em ti circunscrito.
Mundo calado na indiferença...
Espectadores apáticos da crueldade
Horrores se criam manipulando a crença
Que se diz libertação na falsidade.
Usam-se os medos para justificar a guerra...
"Os terroristas são os nossos inimigos!"
Espalha-se sangue sem pudor na Terra
Para se enriquecer alguns umbigos!
Tanto jogo escuro oculto
Feito nos bastidores do poder
Para fazer do ódio um culto!
Há uma atmosfera doentia
Não deixem o Amor morrer!!!
A dor que existe é gerada na apatia!...
Ouço-te silêncio.
Diz-me o que sinto
O que anseio
O que me sufoca!
Esta inquietude permanente
Sem razão aparente de ser
O vazio profundo
Do querer e não querer.
Estou aqui
Vou, não sei onde
De onde venho, não recordo!
Nas horas aladas do desencontro
Fecho as pálpebras da vida
Perfumo de tomilho a alma
E parto, nas pétalas dos lírios brancos.
só os jovens e os loucos sabem
que amar-te assim
é um ofício de labaredas.
Quando na memória surges
como neblina com cores,
as luzes de néon da rua
instigam-me, e saio para a noite,
calma e esperançada,
à procura de ti.
E sei:
é desvario
Autor : BeatriceM 10-05-2026
Imagem : Kelly Tan