Ecos de Poesia e Literatura
Aqui estão as minhas escolhas do que considero melhor em Poesia,Prosa Poética e Fotografia. Domingo é dia de trabalhos de minha autoria.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Tudo é o olhar
quinta-feira, 11 de junho de 2026
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Já foste rico e forte e soberano
Já foste rico e forte e soberano,
Já deste leis a mundos e nações,
Heróico Portugal, que o grão Camões
Cantou, como o não pôde um ser humano!
Zombando do furor do mar insano,
Os teus nautas, em fracos galeões,
Descobriram longínquas regiões,
Perdidas na amplidão do vasto oceano.
Hoje vejo-te triste e abatido,
E quem sabe se choras, ou então,
Relembras com saudade o tempo ido?
Mas a queda fatal não temas, não.
Porque o teu povo, outrora tão temido,
Ainda tem ardor no coração.
in "Dispersos (Primeiros Poemas)"
terça-feira, 9 de junho de 2026
Entardecer na Praia da Luz
Espreguiçados, os ramos
das palmeiras filtram
a luz que sobra
do dia. É já noite
nas folhas. O branco
das paredes recolhe
o sangue e o vinho
de buganvílias
e hibiscos. Bebe-os
de um trago: saberás
que, mais do que cegueira, a noite
é uma embriaguez perfeita.
Autor : Albano Martins
in "Castália e Outros Poemas"
domingo, 7 de junho de 2026
Liberdade não tem preço
A tua ausência
foi a minha carta de alforria ,
a minha liberdade.
Imagem : Bogna Altman
sábado, 6 de junho de 2026
Morrer
Quem te viu como eu vi, em meus braços perdida,
sem dúvidas e enleios,
o corpo, como as curvas de uma estrada
por onde louco me fui em constante escalada,
do vale de teu ventre
aos cumes de teus seios...
Quem te sentiu assim, quando estávamos sós,
com teus braços em torno a mim
como cipós,
teus braços delicados, de repente possantes
e ardentes
como ondulantes
serpentes...
Ah! quem provou a força imprevista que punhas
nesse laço,
sentindo sobre mim, como estranhas picadas,
as tuas unhas
cravadas
em cada abraço...
Quem te teve como eu - toda, inteirinha -
(cada encontro era uma lua-de-mel, uma boda!)
quem como eu te sentiu minha,
com essa ânsia da terra sedenta a erguer no alto
os ramos,
estonteada de luz e calor,
entregando-se toda
à carícia molhada da chuva
sem pudor...
Ah! quem te teve assim, e te tem, e te quer,
nesta loucura imensa
que às vezes nem parece amor, parece doença,
e sente que possui de ti nestes instantes
a tua alma e o teu ser,
não precisa seguir mais... nem um passo que seja!
- teve tudo afinal que se quer ou deseja,
já podia morrer...
imagem :Andreas Kiss
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Apagaram o meu nome de todas as ruas
Apagaram o meu nome de todas as ruas
das listas organizadas dos heróis
das esquinas da escrita
do desenho.Não tenho nome agora
do meu título ninguém se lembra
a água da roupa das mulheres
a pedra onde bate a força das mulheres
junta sílabas de silêncio
um nome antigo se desenha
mãe
In Apagaram o meu nome de todas as ruas”e outros poemas
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Saudade
quarta-feira, 3 de junho de 2026
VINCOS
A luva no bolso
do antigo casaco de Inverno
atravessou inerte
todas as estações. Tantas
vezes entrou pela janela
o som da água molhando o passeio
enquanto nos vincos
do forro de lã reteve
a memória íntima das mãos.
De Teoria da Imunidade, Felício & Cabral - Publicações, 1996
Imagem Pinterest
terça-feira, 2 de junho de 2026
Tudo o que ficou por dizer

domingo, 31 de maio de 2026
Sentir
sábado, 30 de maio de 2026
O vento sabe o que quer
Cantigas leva-as o vento
Nenhures as deve guardar
E vão da fama ao esquecimento
Se perdidas no momento
Em que se ouvem cantar
Quem me dera que o talento
Me ajude a fazer canções
Que o povo cante ao relento
Naquele contentamento
De quem vive as emoções
Não há nada mais bonito
Que ouvir um povo a cantar
Canções que se tornam um mito
No imaginário infinito
Da cultura popular
Cantigas leva-as o vento
E o vento sabe o que quer
E quem andar bem atento
Pode ouvir o próprio vento
Em contratempo a cantar
https://jcmcunha.blogspot.com/
Imagem :Kylli Sparre
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Convite
Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
Imageem : Alexander Yakovlev
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Uma carta ao cair da tarde
Meu amor,
O oceano não precisa das tuas lágrimas para ficar mais salgado.
Nem os céus nem as estrelas ficarão mais luminosos
do que o brilho dos teus olhos.
mas a minha vida ficará mais deserta
sem o aconchego dos teus abraços
e o suspiro melancólico da tua voz em meus ouvidos.
Portanto, não se esqueça de que
o oceano sempre toca o céu no infinito das paixões,
assim como eu infinitamente enlaço o corpo da tua alma
despudoradamente através do erotismo que brota ávido
no corpo das minhas palavras.
in A SEDE DA MULHER (E DE UM HOMEM), (editado no Brasil, s/ data)
Imagem : Pinterest
quarta-feira, 27 de maio de 2026
O tempo errado
terça-feira, 26 de maio de 2026
A Minha Escrita é o Meu Olhar
domingo, 24 de maio de 2026
Legado
sábado, 23 de maio de 2026
Quem Sou
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Retido
quinta-feira, 21 de maio de 2026
...
Devia ser sábado, passava da meia-noite. Ele sorriu para mim. E perguntou:
- Você vai para a Liberdade?
- Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou-se ao meu lado. E disse:
- Então eu vou com você.
Autor : Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 20 de maio de 2026
terça-feira, 19 de maio de 2026
Mudamos esta Noite
domingo, 17 de maio de 2026
Ilha
sábado, 16 de maio de 2026
Na copa das árvores
Na copa das árvores
nota-se o movimento
que é em ti circunscrito.
Imagem : Gina Vasquez























