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terça-feira, 31 de maio de 2016

pelo areal


pelo areal
estende-se um espelho
de manhãs desenganadas.

os incêndios
arderam nos poemas
de noites eternas
sem perdão.

ouve - se
o relógio de um corpo
descompassado
por pecados não cumpridos.

quero um vento!
de regresso
à maré,
mãe
de todas as batalhas.


Autor © João Costa . 21.maio.2016

sábado, 5 de março de 2016

dá-me um livro

Mira Nedyalkova

dá-me um livro de páginas por descobrir, mesmo que nelas meus dedos já tenham passeado.

dá-me um livro onde as noites se escrevam como rios fluindo por entre florestas de metáforas.

dá-me um livro onde as línguas se misturem sem nação, ou boca, códigos enfeitiçados na suspensão de lábios alvoraçados.

dá-me um livro para nele eu entrar. pode ser prosa, pode ser poesia, pode ser o teu corpo.

Autor : © João Costa . 29.fevereiro.2016

sábado, 23 de janeiro de 2016

...

Viktor Sheleg


deixa-me ler-te
mas sem prefácio.


do teu corpo
não quero
nenhum resumo.

Autor : © João Costa . 22.janeiro.2016

sexta-feira, 29 de maio de 2015

sim!


Arthur Braginski


sim!
foi porque te vi
que sonhei
e hoje
há um vento quente,
que preso ao peito
ameaça tempestade,
sempre que és
ausência nesse sonho.
sempre...


Autor © João Costa . 3.maio.2015

domingo, 5 de abril de 2015

...

Ibai Acevedo

roubaram-nos as noites!
[e os dias em que as sonhávamos]
roubaram-nas como se furta tudo quanto se destrói com um fim prematuro, abrupto, imprevisto.
no meu ventre deixaste cair lágrimas. inconsciente despedida de uma noite que desconhecíamos ser a última.
a nossa última noite!, em que nos roubámos, um ao outro, como em tantos dias sonhámos.


Autor © João Costa

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

...

esta noite embriaguei-me em sonhos
e a manhã sabe à ressaca
de quem acorda com o copo vazio.


© João Costa . 14.dezembro.2014