Aqui estão as minhas escolhas do que considero melhor em Poesia,Prosa Poética e Fotografia. Domingo é dia de trabalhos de minha autoria.
sábado, 22 de junho de 2024
O chamado da Falésia
quinta-feira, 22 de julho de 2021
Porto Santo, Verão de 1973
sábado, 26 de junho de 2021
Porque Nasci
sou poeta porque nasci só no orvalho das manhãs
e descobri nas palavras que explorei no silêncio
a explicação das coisas a razão da brancura
a vontade inexplicável de estar aqui
onde caí com as mãos presas e os olhos vendados
o corpo negro e nu descoberto ao longo dos montes.
sou poeta. gritei-o longe com a força da minha voz
e as valas fecharam-se e deixaram-me passar.
mantos azuis ventos fortes mares estranhos
céus límpidos tomaram conta de mim. sou poeta.
nasci só, no orvalho das manhãs, protegido
por flores
por bombas, por maldições e o meu corpo é uma haste
ou harpa ou arma, pedaço de pão, fogo, fome ou lanterna
brinquedo rodando nas mãos de jugos. sou poeta.
dêem-me o vosso arado. deixai-me cultivar vossas terras
áridas, vossos desertos secos. deixai-me soçobrar
nos vossos barcos náufragos. deixai-me criar epitáfios
fogueiras, lendas. deixai-me com os vossos filhos vagando pelas
montanhas, pela lã das ovelhas. pelas
ventanias. deixai-me construir um ruído mudo de silêncio
uma voz calada, mais vibrante que esta branda fala
para dizer-vos um poema sou poeta nasci rosa
no orvalho transparente das manhãs.
Autor :José António Gonçalves
Imagem: Victor Bauer
(in «Vinte Textos Para Falar de Mim», Col. Cadernos Ilha, Nº. 1, 1988)
sábado, 5 de junho de 2021
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
Dêem-me as tábuas
quinta-feira, 20 de março de 2008
Os Figos

Colheram-se ontem
os figos doces dos seios
da mulher que se perdia
nas esquinas
das ruas abandonadas ao amor.
Provei-os.
Encontrei-a hoje pela manhã
desfazendo-se em beijos
no asfalto frio
ainda com a face
plena
de rubor.
José António Gonçalves
(in "Esquivas São as Aves", Col. Cadernos Ilha, nº. 11,
Ed. Correio da Madeira, 2001)




