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quinta-feira, 4 de julho de 2024

Não há tempo

Não há tempo
há horas

Não há um relógio
hábitos que
me habitam

O poema dói
o ponteiro corta
a hora que queima
a morte simula

respira
para não me distrair

Autor : Fernando Lemos,
 in 'A única real tradição viva - antologia da poesia surrealista portuguesa'

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Hoje

qualquer criança
podia ser dona do mundo
ao rasgar
este silêncio
de pele
que envolve a paisagem

Autor : Fernando Lemos
poesia porto editora 2019
Imagem : Jimmy Lawlor