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terça-feira, 18 de novembro de 2025

com uma pedra


com uma pedra podemos fazer um universo, uma história ou um poema (as pedras servem para tudo, menos para atirar, as pedras são as letras do escultor…)“Engracei com uma pedra. Não pela cor, nem pela forma, mas por estar ali no meio do meu andar.Olhei-a, em conversa (daquelas conversas que temos com todas as coisas que nos entram no olhar e ali ficam a provocar-nos, seja pedra, rio, nuvem, quadro, flor ou coisas outras), mas ela mandou-me seguir caminho.O meu parar incomodava-a “ Sai! Sai da frente! Sai! Não ouves?” Repetiu-se em soluços simpáticos mas insistentes.Fiquei intrigado, porque não a imaginava com olhar. Pedra que é pedra, não tem frente nem costas quanto mais “olhar”.Fui. Na volta tornei a vê-la e parei-me provocador, mas não me disse nada.“Sonhei”, pensei “ lá estás tu com as tuas histórias”, disse-me. Fui com toda a intenção de ir, mas fui interrompido por um sussurro, “Espera! Fica aqui comigo! Preciso de ti!”. “Para quê? Porquê?”, “ Cansei-me de ser pedra! De manhã quando passaste por mim, estava a olhar para aquela papoila, aquela que ali está, a olhar para mim. Quero que me transformes em papoila!”, “Mas tu nunca serás uma papoila! Serás sempre uma pedra!”, “ Tu também já foste menino e agora és homem, porque razão não posso ser papoila?”Agarrei nela e esculpi-a, papoila…O sol encarregou-se de lhe dar cor…”
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(escrito com a alma de uma pedra a 12/7/2004)

Autor:Almaro

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

feridas



Não há paisagem,
árvores,
moinhos,
telhados,
montes,
nuvens,
papoilas,
ninhos,
ou mar,

há um vazio imenso

e uma gaivota na cicatriz-do-olhar…

Autor:Almaro

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ir...




não tenho meio,
cada passo, é inicio !
( o centro só me existe no olhar!)
é assim que me construo no começar , cego do (des)fim…

Autor : almaro

sábado, 3 de novembro de 2012

doem-me



doem-me, talvez os olhos, (ossos do sentir?)

talvez o mar que perdeu as gaivotas no marulhar dos sentidos...

doi-me este teatro de sombras, que me envolve na ensónia das noites que se fingem ausentes do espelho que se estilhaça no sal das lágrimas,
e no entanto vou,
todas as manhas para o lugar dos passos que me desenham o futuro...

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Autor : Almaro


domingo, 24 de julho de 2011

quedas



caiu uma folha,
(morta?),,,colorida,
semente-lágrima
de vida.
reza em vão
marulhos de uma oração,
de um ciclo que não finda…
caiu uma folha,
mão-arado,
sangrada por chuva-dorida,
caiu uma folha
sozinha,,,no chão

 almaro  
Foto: pkarws

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O som de um sorriso

Tenho os olhos a voar nos silêncios de uma noite escura, como uma nau que procura as estrelas que lhe segreda caminhos.Sorrio silêncios, como só os olhos sabem gritar...
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Autor :Almaro
Foto:Almaro

sábado, 25 de setembro de 2010

estaçao do oriente

Passeio-me na cidade grande, entre caminhos e desencontros. Aguardo o comboio que me leva (ou devolve?) sem destino, sem tempo. Só eu me encontro imóvel ( por fora?, por dentro?, não sei! parado! cego...) Espero nesta estação de comboios, de uma arquitectura estética disfuncional, que arranha os céus em teias de aço e vidro (baço). (Catedral de namorados que segredam beijos). Olho. Oro, no silencio dos caminhos e desenho, nas nuvens (e em mim) os contornos do vazio.
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Autor : almaro j

quinta-feira, 8 de julho de 2010

sede


Bebi um verso,
Sôfrego de cor,
No calor-do-não-estar-aqui…
Bebi-o!
Todo,
para respirar
e
perder-me no olhar,
sem dor,
por ali…
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Autor:Almaro
Foto:Szarareneta

sábado, 12 de junho de 2010

Tentei desenhar os teus olhos de mar


Tentei desenhar os teus olhos de mar,
para poder um dia saber ensinar a menina das ondas a sonhar…
Não encontrei lápis nem pincel,
só a cor andava por perto a voar…
Difícil tarefa,
esta de ensinar a contar,
cada lágrima do mar,
quando cada uma tem em seu tamanho o Universo a chorar…
Nuvem, mar ou rio, é tudo o mesmo verso…
Amar é cousa séria, de saberes antigos, mistérios que não se ensinam, porque o sentir não é ter, mas dar.
Só te sei ensinar a voar, isso é cousa simples, não é preciso inventar, basta ir com o Ver, sentir a brisa a bater
e Ser…
Só te peço que não fiques, ficar estraga tudo,
até o sonhar.
Mesmo que fiques aí a olhar,
vai,
mesmo que seja pelo mar…

Autor:Almaro
2005-09-02
Foto:Goodnight

sábado, 17 de abril de 2010

confidências,,.

Ouvi,
em marulhos de névoa, uma gaivota
inquisidora:
“Que fazes?
Perdeste-te?
”Olhei-a,
enroscada-nos azuis
e
procurei-me na resposta…
“Voo!”,,,disse-lhe convicto-de-evidências…
"Sim, eu sei,,,mas que fazes aqui? Perdeste-
te?” Insistiu ela em esgares trocistas…
“Não sei…provavelmente procuro…” disse-lhe
irrequieto
e
já sem voo! ( perdi-me, pensei,,, em certezas
só minhas…)
.
Autor :Almaro
Foto:Almaro

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O nosso “eu-mesmo” não nos mente porque SENTE, só o “eu-outro” nos engana porque grita murmúrios surdos de um espelho negro.Os espelhos só nos falam verdade quando as imagens se desfragmentam em assimetrias.O encontro está na ousadia de transformarmos o “eu-outro”, no “eu-mesmo” sem perder a cor do sentir…

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Autor: almaro —September 5, , 2005
Foto;Shawrus

domingo, 7 de fevereiro de 2010

entras de noite

Entras de noite, sem sombras, negra, escura de perfumes suaves,
a abraçar-me a ilusão com se colorisses a solidão do sonho
.
por vezes, à noite,
no silêncios dos pássaros
vejo-te
( em passos lentos)
e
oiço-te os olhos
( de alabastros-negro)
a cantarem,
saudade
em sussurros baços
e
beijo-te
como se fosses
verdade.

Autor: Almaro

Foto:Tilianne

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

um dia

Um dia, ainda menino, falei com um anjo… estava pintado de ventos…não me disse palavras…só me deu caminhos…..
autor :Almaro

sábado, 28 de novembro de 2009

...

Deixo o rio correr,
(o som e a cor),a agua tenho-a na alma,tudo o resto é vento que rema sombras…
Não tenho fronteiras, só o universo me cabe,para lá dele
há o olhar que O inventa e O sente.

Autor:Almaro

sábado, 25 de julho de 2009

escultor de sombras

voo, no silencio dos ventos,
e não me sinto pássaro,
mas escultor de sombras e de memórias, a respirar serenidades...
varro silêncios,
como quem acaricia o tempo que nos habita o passado.

Autor:Almaro
Foto: DDiArte

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

medidas (in) variáveis

Só há distância na presença da luz, a que se sente no escuro, tem a exacta dimensão da nossa inquietação…
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Autor: almaro
Foto:Gedeah

domingo, 16 de novembro de 2008

....

Agarro em pincel e deslizo-o, a ouvi-lo segredar, murmúrios de cores que riem sozinhas.Traço risco leve, não leve o vento o vento, o segredo do rabisco…É saltimbanco, o risco colorido , palhaço-saltitante, vagabundo, navegante…Procura ilha perdida, de menina que sonha versos de fantasia.Rabisco tonto!Desvalido de sorte!Anda perdido sem norte, que a menina sonha coisas outras, de fadas e rainhas, não coisas tolas, coloridas por rabisco de Quixote…
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@ almaro — July 13, 2005

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

sentei-me


sentei-me sem a presença do destino,um quase nada…pousado na bruma, deixei que tudo me invadisse,foi então que voei…
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Autor:Almaro
Foto:Laluna Bel

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

...

a bruma da minha cidade é um retalho de dor, cada pedaço é uma cor, cada tom uma vida. passeio-me só, sem lua nem lobo, entre a luz e a sombra de cada uma. vagabundo navegante sem cidade nenhuma…
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Autor:Almaro
Foto:Beatrice

terça-feira, 26 de agosto de 2008


Encontrei uma lágrima,
sozinha,
perdida.
Colhi-a e sorriu-me com todas as cores de um reflexo.
Agarrei em tintas e misturei-a em forma de flor.
Não lhe dei nome,
só lhe sinto a cor que me cobriu a dor…
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Autor : @ almaro — August 29, 2005
Foto:Kátia Chausheva