Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio de Navarro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio de Navarro. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Sensação musical para embalo de almas

 

Onde a vida foi, fugitiva, 
a forma inatingível, 
a pura música cativa 
e livre, como um sensível 
alheio a nós, e sendo-nos, 
há só o puro longe, o pólen 
em suspensão e estige 
de ausência - pétalas cismantes 
recortando a sua origem 
não em nós, na morte de instantes. 

Autor : António de Navarro
Imagem : Ragne Sigmund

sábado, 7 de setembro de 2019

(XVIII Poema de «O Alar das Redes»)


O cemitério é ali.
Casa de gente pobre;
Serenidade e sono calmo.

Apenas lá do alto sobre
Ele, uma nuvem a aguardá-lo.
Uma nuvem calma,
Sem ânsias, sem histerismos...

Ali na total ausência d'alma,
Serenamente, eu sinto
Que não há abismos.

Quem os traz é ela
A animar os impossíveis
Devaneios d'uma estrela.

Autor: António de Navarro (1902-1980)

terça-feira, 23 de julho de 2019

Ave do Silêncio


Sobre a paisagem verde
ficou uma sombra
- a sombra do meu vulto
a erguer-se em silêncio
e a sumir-se pela terra dentro.

E a luz que a perde
e a queima, a própria luz
a revela ao oculto,
- e assim me crucifico
na minha própria cruz.

Autor: António de Navarro
Imagem : Logan Zilmer

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sensação musical para embalo de almas


Onde a vida foi, fugitiva,
a forma inatingível,
a pura música cativa
e livre, como um sensível
alheio a nós, e sendo-nos,
há só o puro longe, o pólen
em suspensão e estige
de ausência - pétalas cismantes
recortando a sua origem
não em nós, na morte de instantes.

Autor:António de Navarro
Foto:miszkaa