quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Eu moro numa nuvem

 

Eu moro numa nuvem
Que às vezes perde a lã.
Acordo de manhã
e sinto-me gelada.
Eu moro numa nuvem.
Desde sempre que moro.
Quando se vai não choro.
Mas caio magoada.
Eu moro numa nuvem
Por mais gritos que dê
Ninguém me crê nem vê.
Estou quieta e calada.
Eu moro numa nuvem.
Quando o vento a dilui
Recordo então quem fui
Eo que perdi, parada.
Eu moro numa nuvem.
Nimbo, estrato, cúmulo
De nada.

Autor : Maria Judite de Carvalho
in A FLOR QUE HAVIA NA ÁGUA PARADA (poemas), (Europa América, 1998), in OBRAS COMPLETAS MARIA JUDITE DE CARVALHO – Vol. 5 (Editora Minotauro, 2019)
Imagem : Oana Stoian

Sem comentários: