terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Gratidão

Mais um ano se encerra, marcado por desafios que testaram nossa força e resiliência. Apesar dos desastres catastróficos – terramotos, enchentes e guerras – que abalaram tantas vidas, não podemos esquecer a coragem e a solidariedade que emergiram em meio à adversidade. 

Hoje, quero expressar a minha mais profunda gratidão a todos os que visitaram este espaço. Aos que aqui deixaram palavras de incentivo e aos que passaram de forma anónima, mas contribuíram para dar sentido a esta partilha, o meu muito obrigado 

Que o Ano Novo que se inicia seja um tempo de renovação, onde a esperança nos inspire a acreditar em dias melhores. Que possamos encontrar força para reconstruir, harmonia para unir e, sobretudo, que a paz deixe de ser apenas um sonho e se torne uma realidade viva em cada canto do mundo. 

Desejo a todos um ciclo repleto de luz, serenidade e propósito. 

Feliz Ano Novo de 2025 para todos, todos. 

Autor BeatriceM 2024-12-31

domingo, 29 de dezembro de 2024

Apenas as minhas lembranças


Lá fora, o frio estende o seu manto.
Recolhida no meu recanto,
ainda lembro o que não esqueci, nem quis.

Na pele,
subsistem memórias entorpecidas,
jamais apagadas.

Não sei em que instante nos perdemos:
se nas palavras ou nos silêncios,
ou na planura deserta da vida.

Autor : Beatrice 2024-12-29
Imagem : Klaudia Rataj

sábado, 28 de dezembro de 2024

A decisao


Vem Janeiro e
hesitamos no que fazer ao pinheiro
mais antigo
do jardim. Janeiro tem duas faces. Por nobre
que possa ser o
seu sumptuoso tronco
as pinhas e a caruma que encobrem
a erva rasa vão
criando um paraíso (distante das leis do fórum)
nada menos que
anárquico. Há anos que
o jardineiro lhe promete a motoserra
(detido pelo mau juízo do nosso
sim
definitivo). Nem é tanto pela mágoa de
trocarmos a madeira por meros
instantes de cinza é
não sabermos depois onde a Sombra
da árvore cortada
habitaria.

Autor : João Luís Barreto Guimarães
In Os Poemas

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Morada


Habitamos
uma casa quando
a sombra dos nossos gestos
fica mesmo depois
de fecharmos a porta.

Autor : Margarida Ferra
in Curso Intensivo de Jardinagem, 2010
Imagem : Pinterest

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Domingo no campo



Aos domingos, quando os sinos tocam
de manhã, o que neles se toca é a manhã,
e todas as manhãs que nessa manhã
se juntam, com os dias da infância que
nunca mais acabavam, as casas da aldeia
de portas abertas para quem passava,
as ruas de terra batida onde as carroças
traziam as coisas do campo, os cães que
corriam atrás delas, uma crença no sol
que parecia ter expulso todas as nuvens
do céu, e a eternidade desses domingos
que ficaram na memória, com o ressoar
dos sinos pelos campos para que todos
soubessem que era domingo, e não havia
domingo sem os sinos tocarem a lembrar,
a cada badalada, que os domingos não
são eternos, e que é preciso viver cada
domingo como se fosse o primeiro, para
que o toque dos sinos não dobre por
quem não sabe que é domingo.

Autor : Nuno Júdice

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Natal

 

O Natal é um tempo mágico, cheio de amor, gratidão e reencontros. É o momento de celebrar a união, fortalecer os laços com a família e os amigos, e deixar que a luz da esperança brilhe em nossos corações. 

Que este Natal seja um festival de sorrisos e abraços, em que a fé renove nossos sonhos, e nossas orações alcancem o céu, espalhando paz e alegria pelo mundo. 

Desejo a todos os meus amigos e leitores deste espaço, que é feito com muito carinho e amizade, um Natal repleto de luz, amor e momentos inesquecíveis.

Muito obrigada por fazerem parte desta jornada 

Autor BeatriceM 2024-12-22
Imagem : Pinterest

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Natal

Que nos trazes a não ser
lágrimas cada vez mais,
natal eterno a nascer
de outros natais…
Ligeira esperança que toca
os nossos olhos molhados
e o sangue da nossa boca,
amordaçados…

Ah bruxuleante luz
acenando ao longe em vão
e que a dor nos reproduz
em ilusão…

Ternura dum breve instante
que o próprio instante desterra,
morta no facto constante
de tanta guerra…

Autor : António Salvado

domingo, 22 de dezembro de 2024

Crueldade



Quantas vezes os inocentes choram,
suportando dores que os devoram.
Silêncio a ecoar em cada vão,
a alma retorcida pela aflição.

Se o caminho é feito de tormento,
buscam forças no desalento.
Enxugam lágrimas, a custo, no olhar,
pois já não há mais nada a chorar.

Neste mundo cruel, sem escolha ou lar,
a existência é um fado difícil de suportar.

Autor BeatriceM 2024-12-22
Imagem : Pinterest

sábado, 21 de dezembro de 2024

E agora a tua pele

Rosie Hardy

Revejo: é manso o mar.
E sei que o vento corre e que por ele
se colam no teu corpo lembranças de luar.
Descanso: os teus cabelos.
Entrego: já é dia.
Os caules são serenos, e ao vê-los
No côncavo da mão o sol nascia.

Autor : Pedro Tamen

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Depois da paixão


Depois
da paixão
e da ausência
ficou a esperança
e a indulgência

Não sou Marianna
e tu não és Chamilly

A minha história
é outra
e começa agora

Estou sempre
a começar

Autor : Adília Lopes
Imagem : Ekaterina Shulga

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Foram pétalas

Oleg Oprisco

Foram pétalas
Ou olhos de deusas
Que calquei?

Não,
Não me digam

Eu sei
Que foram Sonhos

Autor : Daniel Faria
In “Poesia”

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Instinto

 

Para ti

Como a árvore sabe a floração
e o pássaro o rumo, certeiro, do voo
a minha sede de ti
sei.

Autora : Luísa Dacosta
in A Maresia e o Sargaço dos Dias
Imagem : Kelly Tan

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Dormes

Laura Makabresku

Dormes.
Não há no mundo senão teu rosto.

O céu sob o tecto
espera comigo que despertes.

O meu único relógio
é a sombra imóvel no chão do quarto.

A curva da terra
em tua pálpebra desenhada:
no teu sono me embalas.

Dormes-me.

Autor : Mia Couto

domingo, 15 de dezembro de 2024

Que a vida ....

 

Que a vida não seja um sopro
Que seja um raio de luz na noite sem estrelas
Que seja cascata de água a cair
Na terra árida que o estio deixou

Que o amor perdure para além da partida
E nunca seja antónimo de esquecer
Porque o deixar partir
Muitas vezes, não foi o deixar de amar.

Autor BeatriceM 2024-12-15
Imagem :Sara Theresee 

sábado, 14 de dezembro de 2024

A Mulher Inspiradora


Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.

Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.

Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.

Mulher, és meio mulher,
meio sonho.

Autor : Rabindranath Tagore
in "O Coração da Primavera"
Tradução de Manuel Simões
Imagem : Marcin Łaskarzewski

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

minima poetica


Escrever é difícil.
Escrever poesia é difícil.
Escrever sobre poesia é muito difícil.
Escrever ou falar sobre a própria poesia é difícil e complicado.
Pensar no que quer dizer a poesia, para que serve e para onde vai é difícil, complicado, contraditório e provavelmente inútil.

Autor : Rosa Oliveira,
in Desvio-me Da Bala Que Chega Todos Os Dias, não (edições), 2.ª edição, Setembro de 2021, p. 27.
Imagem : Amber Ortolano

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Atalhei a noite

Paolo Barzman

Atalhei a noite,
Tentei chegar ao trilho mais certo dos teus passos
Caminhando no cerejal.
A velha casa era agora um borrão no crepúsculo,
Lembrava-me a fúria das crianças em louca correria.

Percorri, às apalpadelas, o quarto escuro, produzido pela idade
E foi aí que pedi a Purviance um copo de água.
Ela adiantara um torrão de açúcar para que a memória
Não fosse um frango fugido do galinheiro.

Alimentara-me de tudo isso, e nem o teu corpo encontrara
Para que a aventura fosse mais doce,
Mais secreta de certezas.
Sentira-me envergonhado por ser surpreendido
Quando te procurara
Tacteando uma imagem de ti.

Olhei pela janela.
Vi os ciganos em viagem em direcção ao sul.
Não sei se ias.
Não sei.

Eu fui.

Autor  : Rui Pedro Gonçalves
in Telhados de Vidro nº12, Averno, Lisboa, Maio de 2009

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Poema


Nelina Trubach Moshnikova
2.

Contigo partilhei os vários leitos
dos amigos dispersos. Mesas, sumos,
os degraus mal ardidos do terror.
Contigo um pouco em cada aldeia, enquanto
nada de nós podia ultrapassar
as paredes dos outros que jaziam
no repouso e no largo e tu compravas
permanecendo os nomes tumulares.

Já então começávamos a longa
inelutável morte dos estios
e eu colhia os agoiros nas fornalhas
de infatigável pão. E cada noite
um maior julgamento nos calava.

Já então nos vestíamos nos cantos
de antigamente sós. Contigo, aos poucos,
recomeçava o frio e as grandes vagens.

De terra em terra, humilde, e raramente
antecedendo a desamor final. Sem transição. Sem dor.
E hoje penso que sobreviverei sem ti
ainda quando a névoa sobreposta nos deixar

tão nus como se de hábitos nascêssemos.

Autor : HÉLIA CORREIA
in POESIA 71 (Editorial Nova, 1972)

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Manhã de Inverno


O verão entrou pelo inverno adentro.
O céu é azul, sem nuvens.
E no meu pensamento voa a cotovia.

O sol não nos abandonou durante todo o dia.
O sol faz de mim um homem como os outros.
Mas só desta vez,

porque da próxima serei menos que o último dos homens.
Afirmações de senso-comum transportam-nos
até ao verão que há dentro do inverno.

A alma, pobre prefiguração das coisas sem lume,
a alma depõe as enregeladas sombras
que a envolvem

e caminha no contentamento sucessivo das horas.
E desta vez direi para que se não regresse
a estes instantes que tudo encerram

para melhor se perderem:
foi disto que se fez o dia,

este primeiro dia na esquecida memória dos homens:

de uma passagem
para a outra margem do inverno, de uma passagem
para a solenidade do verão.

Autor : Luís Quintais
in A Imprecisa Melancolia
Imagem : Sam Elkins

domingo, 8 de dezembro de 2024

e de ti levarei

e de ti levarei as memórias junto ao rio,
ao anoitecer cheia de frio sem sentir,
voltarei sempre ao lugar onde fui feliz.

não levarei a escuridão,
mas apenas a luz que irradiava,
dos teus olhos sobre os meus.

Autor : BeatriceM 2024-12-08
Imagem : Sanya Khomenko

sábado, 7 de dezembro de 2024

A Mulher Mais Bonita do Mundo



estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.
.
Autor:José Luís Peixoto
 in "A Casa, a Escuridão"

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

"___________

 

"_______escrevo,
para que o romance não morra.

Escrevo, para que continue,
mesmo se, para tal, tenha de mudar de forma,
mesmo que se chegue a duvidar se ainda é ele,
mesmo que o faça atravessar territórios desconhecidos,
mesmo que o leve a contemplar paisagens que lhe são tão
difíceis de nomear"

Autor : Maria Gabriela Llansol
Imagem : Pinterest

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Nós


Falei

Cantei
Cantei demais

Arrisquei quebrar
O arco-íris

Mas até em estilhaço
Continuaria

O encantamento

Autor : Alberto de Lacerda, in 'Átrio'
Imagem : Christine Elger

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Os livros


Os livros duram séculos e
falam da melodia da chuva,
dos rios e dos mares, das fontes,
dos húmidos beijos dos
amantes, mas também

morrem despedaçados num
qualquer temporal que parte
as vidraças e lhes tolhe as páginas
numa brutal invasão líquida.

E falam do fogo
das paixões, de estrelas
a arder no infinito,
mas o convívio das chamas
é-lhes vedado, apesar
da torpe ignorância,
a isso os ter condenado
tantas vezes.

Quantos naufrágios e incêndios
os destruiram, para depois
ressurgirem múltiplos,
audazes, amigos tão antigos e
tão novos.

Autor : Inês Lourenço
(in Coisas que nunca)
(trazido de Poema possível)
Imagem :Pinterest


terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Cadernos de Poesia


Difícil é esperar
quando nada sabemos
nada haver a esperar.

O eco de uma lágrima não basta
para dar vento à sementeira

Autor Egito Gonçalves

domingo, 1 de dezembro de 2024

Paixão


Não é doença
Não é fixação
Não é amor

É desejo incandescente
É luxúria
É apenas paixão

Autor : BeatriceM 2024-11-30
Imagem : Sanya Khomenko

sábado, 30 de novembro de 2024

Eterno Outono

by Artem Rhads Cheboha

Estou com a idade pousada nas mãos.
Explico-me com dedicação aos berços fundos
onde cada coisa dorme o seu medo de morrer.

Há na tristeza um perigo de terminar:
o eterno outono parece belo
a quem perdeu todas as sementes.

Pergunta-se um nome e ninguém responde.
Onde fica essa ilha a que só chegamos por naufrágio?

Autor : Vasco Gato
in "IMO"/ Edições Quasi)

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Não me perguntes nada!


Não me perguntes nada...
Não quero que saibas...
Das lágrimas e dos gritos
Sufocados que na noite lancei
Perdida sem ti.
De outros braços que me envolveram
Quando desesperada desisti.
Do teu nome sussurrado por engano
Rasgando cruelmente o momento
Em que outro sorri.

Não me perguntes nada…
Não quero que saibas...
Agora que estás aqui
Só existe o presente
Porque amanhã...
Amanhã
Vou viver o que já vivi!

Autor Maria Sousa

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Eu sei, não te conheço, mas existes


Eu sei, não te conheço, mas existes.
Por isso os deuses não existem,
a solidão não existe
e apenas me dói a tua ausência
como uma fogueira
ou um grito.

Não me perguntes como mas ainda me lembro
quando no outono cresceram no teu peito
duas alegres laranjas que eu apertei nas minhas mãos
e perfumaram depois a minha boca.

Eu sei, não digas nada, deixa-me inventar-te.
Não é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos sobre a tua
nudez
como uma sombra no deserto.
É apenas este rio que me percorre há muito e desagua em ti,
porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável, uma outra maneira de habitares
Em todas as palavras do meu canto.

Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
Tenho feito amor de muitas maneiras
docemente,
lentamente,
desesperadamente,
à tua procura, sempre à tua procura
até me dar conta que estás em mim, que é em mim que devo
procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti
que eu amo.

Autor : Joaquim Pessoa
125 Poemas Litexa Editora, 1990
Foto: Cristina Coral

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Escreve-me muitas vezes


Escreve-me muitas vezes
como os percursos ininterruptos das formigas
o ritmo dos girassóis devolvidos à condição de flor
e o reflexo das nuvens no lado interior dos rios
guardados nas minhas mãos

Escreve-me tantas vezes
quantos os nocturnos quase-vazios entre as estrelas
os quebrantos de mar aos pés prateados da lua
e as intuições anunciadas na respiração dos dedos dos amantes

Nunca deixes de me escrever
como se o tempo das palavras fosse o dos regressos

confirmado na existência e docilidade das pedras

Nunca deixes de me sentir

Autor : Sandra Costa
Imagem : Pinterest

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Revolta

 


Todos foram saindo, de mansinho,
tão calados,
que eu nem sei
se fiquei mesmo só.

Não trouxe mensagem
e nem deram senha…

Disseram-se que não iria perder nada,
porque não há mais céu.

E agora, que tenho medo,
e estou cansado,
mandam-me embora…

Mas não quero ir para mais longe,
desterrado,
porque a minha pátria é a minha memória.

Não, não quero ser desterrado,
que a minha pátria é a memória…

Autor :João Guimarães Rosa
In “Magma”
Imagem:Martin Stranka

domingo, 24 de novembro de 2024

Chove


Chove neste recanto
De mundo
Onde estou

Olho a chuva
Que cai furiosamente
Sobre a terra seca

E fico magnetizada
A olhar e respirar serenamente
Este aroma de terra molhada

Autor : BeatriceM 2024-11-23
Imagem : TJ Drysdale

sábado, 23 de novembro de 2024

Ausência


Boyana Petkova


Fala

Ouvir-te-ei
Ainda que os segredos
As amoras me chamem

Diz-me
Que existirão lágrimas para chorar
Na velhice
Na solidão

Ainda que acordes os olhos dos deuses

Fala

Ouvir-te-ei
A coragem

Alguém de nós que já não está

Autor : Daniel Faria
in "Oxálida"

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Eu te prometo

Liu Yuanshou


Eu te prometo meu corpo vivo
Eu te prometo minha centelha
minha candura meu paraíso
minha loucura meu mel de abelha
eu te prometo meu corpo vivo

Eu te prometo meu corpo branco
meu corpo brando meu corpo louco
minha inventiva meu grito rouco
tudo o que é muito tudo o que é pouco
meu corpo casto meu corpo santo

Eu te prometo meu corpo lasso
mar de aventura mar de sargaço
vaga de náufrago onda de espanto
orla de espuma do meu cansaço
eu te prometo meu doce pranto

Eu te prometo todo o meu corpo
ardendo eterno na nossa cama
como um abraço como um conforto

P´ra que me lembres além da chama
eu te prometo meu corpo morto

Autor : Rosa Lobato de Faria,
In a noite inteira já não chega