Paul Kelley
É o vento que me leva
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar…
Autor: Miguel Torga

2 comentários:
Essa viagem descrita não tem porto de chegada ("Até nunca chegar"). Ela é um movimento perene — de céu em céu, de mar em mar —, o que aproxima o poema de uma visão existencialista: a jornada não vale pelo destino final, mas pelo próprio ato de caminhar e estar em constante transformação.
È a força da poesia de Miguel Torga.
Uma boa semana, Beatrice!
Muito obrigada! Pela visita e pela análise poética...Bem haja!
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