sábado, 29 de agosto de 2026

Viagem

Paul Kelley

É o vento que me leva
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar…

Autor: Miguel Torga

2 comentários:

Eros de Passagem disse...

Essa viagem descrita não tem porto de chegada ("Até nunca chegar"). Ela é um movimento perene — de céu em céu, de mar em mar —, o que aproxima o poema de uma visão existencialista: a jornada não vale pelo destino final, mas pelo próprio ato de caminhar e estar em constante transformação.
È a força da poesia de Miguel Torga.
Uma boa semana, Beatrice!

BeatriceMar disse...

Muito obrigada! Pela visita e pela análise poética...Bem haja!