sexta-feira, 15 de maio de 2020

Luto



Que farei agora com as dores tépidas
que me consomem os ossos do entendimento? 

Que farei com tantos gritos atirados
ao esquecimento agora que a garganta é
um crivo deformado e a voz uma depressão
incómoda na sequência dos significados? 

As esperas inacabadas, os equívocos das mãos
abertas para nada, que farei eu com elas? 

Porque não escrevi todos os poemas quando
o mundo era ainda um lugar belo e perfeito,
quando o meu coração era ainda inteiro
e virgem, quando tinha ainda os olhos limpos
de tanto mal? 

Que farei agora com as cinzas do meu peito?
Onde vou eu sepultar as alegrias mortas? 

Autor : Virgínia do Carmo 

1 comentário:

" R y k @ r d o " disse...

Poeticamente fabuloso de ler
.
Cumprimentos saudáveis
Cuide-se