quarta-feira, 6 de maio de 2020

A Teia da Esperança


A teia tecida

nas noites de esperança,
rasgada e ferida,
segue a nossa andança.

E juntos, mãos dadas,
olhamos pra ela,
vontades paradas,
quais barcos sem vela.

Amigo, que o braço
cansado de tédio
ergamos no espaço!
É esse o remédio.

Depois de cerzidas,
não ficam marcadas
profundas feridas
em teias rasgadas!

Autor: Isabel Gouveia, 
in "Poemas Vários (1950-1975)
Imagem :Tullius Heuer

2 comentários:

" R y k @ r d o " disse...

Um fascínio de leitura. Poema maravilhoso
.
Um dia feliz
Cuide-se

Manuel Veiga disse...

poema muito musical
e ritmado. a fazer lembrar "velhas" lengalengas!

gostei muito
e recolho o nome da Poeta

beijo