Steve Hanks
Sempre amei por palavras muito mais
do que devia
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos
um perigo
as palavras
mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero
Autor : Alice Vieira
in O QUE DOI AS AVES (Caminho, 2009)

4 comentários:
Há palavras que não apenas dizem: permanecem. Este poema lembra que cada frase lançada ao mundo carrega um pedaço de quem a pronunciou, e talvez por isso o silêncio, às vezes, também fale. Alice Vieira transforma a delicadeza em profundidade, e você, Beatrice, mais uma vez nos presenteia com uma escolha que permanece ecoando muito depois da última linha. Que bela partilha.
Belo final de semana
Daniel
Muito obrigada pela visita e preciosa análise ao poema da Alice Vieira. Retribuo os votos de bom fim-de-semana....
Gostei bastante do poema! Obrigada :))
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"DISTÂNCIAS"....
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Beijos. Bom fim de semana!
obrigada. Bom fim-de-semana! ...
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