terça-feira, 7 de julho de 2026

Uma ave uma só ave,

Uma ave uma só ave
ponto negro em rosto
de turquesas apuradas
vagueia sem nota
de regresso ou despedida

Na brisa saboreia-se
o sal que tempera a tarde
ao de leve estremecem
copas de pinheiros
carvalhos e figueiras solitárias
um estertor como espasmo
doce tão doce

E uma passada surda
na gravilha batida
dá um ritmo que se perde
no próprio ritmo de tudo

Na curva da estrada deserta
um gato deita-se ao vazio
como lentos os amantes
morrem nos braços do amor

Há em tudo isto
um fascínio absoluto
que não necessita de nome
para cintilar ínclito
no coração do silêncio

Autor : Pedro Belo Clara

Fusun Urkun

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