fervem nos ombros
dos montes
as pedras do silêncio
e isto podia ser o mundo
ou a casa onde a morte
se cansa de mentir
no céu, só os restos
dum incêndio trabalham
esta febre do olhar
toda a tarde
te respiro por entre
as árvores submersas!
estou tão quente
como um fruto
que o sol ferrou
só, só eu
te sei cantar
até seres chuva
Autor : Gil T.Sousa, in ÁGUA FORTE (Ed. Urutau, 2019)
Imagem :Silena Lambertini



