há dez anos
que o meu braço esquerdo
queima
dez anos
e na verdade
eu não me lembro
qual braço
mas não esqueço:
dez anos
que alfabetizados
meus ouvidos
na tua língua odienta
afasta de mim
essa saliva
infecta
que desfecho:
disseste
que de mim
nada sobraria
nada
nada de festas
nem traço
(larga do meu braços moço
eu peço
e peço
e peço
e me despeço)
nem fração
dez anos
que ando sobrando
escorrendo
pelos dedos pegajosos
das ruas
de miasmas masculinos
de mim sobrou
quase tudo
menos o medo
Autor : Anna Clara de Vitto
Poemas do livro “Água Indócil”, editora Urutau, 2019.
Imagem : Omar Ortiz
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