terça-feira, 10 de março de 2026

Tempo

Victor Bauer

O tempo é um velho corvo
de olhos turvos, cinzentos.
Bebe a luz destes dias só dum sorvo
como as corujas o azeite
dos lampadários bentos.

E nós sorrimos,
pássaros mortos
no fundo dum paul
dormimos.

Só lá do alto do poleiro azul
o sol doirado e verde,
o fulvo papagaio
(estou bêbedo de luz,
caio ou não caio?)
nos lembra a dor do tempo que se perde.

Autor : Carlos de Oliveira
in 'Colheita Perdida'

2 comentários:

brancas nuvens negras disse...

Só dói quando já não temos mais tempo.

Eros de Passagem disse...

Como as oliveiras sua poesia resiste ao tempo.
Um abraço,