sexta-feira, 9 de julho de 2010

Queria.....



Queria dizer-te que já abandonei os barcos. Queria que soubesses. Queria dizer-te que agora já não existem motivos para que partas, já não te troco pelo mar e os barcos são só memória. Mas é a tua que se sobrepõe a todas as outras memórias mesmo sendo a água a primeira memória da humanidade.

Só queria que soubesses isso. Que abandonei os barcos

Agora para matar o tempo, para que saibas também, passeio pela beira-mar na praia que foi a nossa no cabo do mundo. E se um dia resolveres regressar nem a vais reconhecer…

Autor:João Marinheiro
Foto:komarek66

quinta-feira, 8 de julho de 2010

sede


Bebi um verso,
Sôfrego de cor,
No calor-do-não-estar-aqui…
Bebi-o!
Todo,
para respirar
e
perder-me no olhar,
sem dor,
por ali…
.
Autor:Almaro
Foto:Szarareneta

domingo, 4 de julho de 2010

Vagueio

Vagueio por caminhos perdidos a fim de me encontrar
Escondo sentimentos mas divulgo emoções
Escrevo palavras que me escorrem pelos olhos
Ignoro diários inacabados por ausência de coragem e
Adopto hábitos solitários que me enternecem por breves segundos mas que me abatem por longas horas.

No fundo, até a ínfima parte do meu ser esperneia para que voltemos a ser um só.
Tu e Eu, apenas.

Autor:Petra Correia

Foto:RCotton

sábado, 3 de julho de 2010

Toma-me

Toma-me
em teus braços
d’enlaços feitos.
Faz-me princesa dos teus actos,
(ou boneca de trapos)
coroa-me de boquets diademados
d’ hortenses d’algas e sargaços...

Mata a sede antiga
de te sentir a palpitar de lés-a-lés
edificado em mim, que, musa ou diva,
cederei ao desejo incontido
de ser em ti, de ti, poema, livro aberto,
mapa de um mundo secreto
e só nosso,
bonança e porto de abrigo

ou água …

simplemente água, livre e solta,
a explodir-se saliva no céu-da-boca
nos poros da alma
e nos corpos exaltados
os nossos corpos, amado, fundidos e nus
em palco divino de estrelas e de astros
afixos.

Mostra-me, se fores capaz,
a lua p’los teus olhos
os prados largos
e o sol alcantilado
nos delírios de ninfas e faunos.

Ofereço-te este mapa de marés…
.
Autor:Boneca de Trapos http://emsaltosaltos.blogspot.com/
Foto:GosiaMakova

sexta-feira, 25 de junho de 2010

onde



Onde quer que o encontres -
escrito, rasgado ou desenhado:
na areia, no papel, na casca de uma
árvore, na pele de um muro,
no ar que atavessa de repente
a tua voz, na terra apodrecida
sobe o meu corpo - é teu

para sempre, o meu nome.



Autora :Maria do Rosário Pedreira de Os Nomes de Familia em Nenhum Nome Depois, ed. Gótica Lisboa, 2004
Foto:
Komarek66

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Retrato do poeta quando jovem

José Saramago
16-11-1922
18-06-2o1o



Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.



Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.



Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.



Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.



Autor :José Saramago


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Vem

Vem.
Vem comigo
Cansados de amor
mergulhemos juntos na noite
no silêncio dos amantes

amor amor amor
repete comigo
as palavras que nos dão paz.

Autor:Luis Rodrigues

terça-feira, 15 de junho de 2010

Beijar-te


Beijar-te será desvendar
O gosto puro nos teus olhos
Em berço largo de candura.
Será entrar no anel de fogo
Que inunda, sem o saberes,
A tua carne embriagada
Pela entrega com loucura.
Será reconhecer as aves intactas
Que voam inocentes
No sorriso delicado do teu rosto.
Será incendiar-te,
Afogar-te o peito erguido
Com as chamas dos meus braços.
Será rasgar a minha fronte
Para que a tua se alague
Da nudez divinal que te habita.
Será sussurrar-te palavras com rastilhos
Até que atices a pólvora
Da desordem do meu grito sobre o teu.
Beijar-te, será coabitar-te
Até que eu morra
A cada espasmo que te mate.


Autor Nilson Barcelli http://nimbypolis.blogspot.com/
Foto:Leszek

sábado, 12 de junho de 2010

Tentei desenhar os teus olhos de mar


Tentei desenhar os teus olhos de mar,
para poder um dia saber ensinar a menina das ondas a sonhar…
Não encontrei lápis nem pincel,
só a cor andava por perto a voar…
Difícil tarefa,
esta de ensinar a contar,
cada lágrima do mar,
quando cada uma tem em seu tamanho o Universo a chorar…
Nuvem, mar ou rio, é tudo o mesmo verso…
Amar é cousa séria, de saberes antigos, mistérios que não se ensinam, porque o sentir não é ter, mas dar.
Só te sei ensinar a voar, isso é cousa simples, não é preciso inventar, basta ir com o Ver, sentir a brisa a bater
e Ser…
Só te peço que não fiques, ficar estraga tudo,
até o sonhar.
Mesmo que fiques aí a olhar,
vai,
mesmo que seja pelo mar…

Autor:Almaro
2005-09-02
Foto:Goodnight

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sexta Poética 38

Maria Aurora Carvalho Homem

13/11/1939
11/06/2010


A palavra não chega a ser murmúrio
Mastigo-a na sombra a intervalos breves:
é um dizer silencioso
um tempo sem rosto
uma ausência presente em cada gesto.
A palavra viaja no meu corpo
prendo-a na franja dos olhos
corrompe a limpidez da distância
na precisão incolor dos dias.
É cardo, gume, alfazema e jasmim.
Persigo-a neste gesto de quem quer.
A palavra é este olhar de tudo cheio
este cheiro de noite
este acaso de nada
adágio sufocado em catedral vazia
vôo raso de pássaro vadio.
A palavra tem rosto de mulher
olhar de noiva eternamente virgem
é a pele que me veste cada dia
e que me despe à noite devagar.
Faço-a minha na ternura calada
de quem desfolha rosas no outono.
Caladas nos dizemos:
amantes confessados.

Autora: Maria Aurora Carvalho Homem

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A nudez das palavras



Da boca brotam as palavras interdita
se
dentro de mim soltam-se as amarras
liberando tudo
o que eu tinha querido guardar
ficou somente
o desejo de querer compartilhar contigo
este fogo
que me transporta ao mais profundo de ti
e
em noites de transmutação
fico mudo quando a nudez das palavras
me conduzem
a este estranho sonho
de te ter tão longe e tão perto
.
Autor:Rogério Saviniano Telo
Foto:Stefers

terça-feira, 1 de junho de 2010

Traduzir-se



Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
.
autor :Ferreira Gullar Prémio Camões 2010

sábado, 29 de maio de 2010

... hoje


... hoje um pássaro meditava nas águas. quando me apercebi ele falava comigo. e por breves momentos consegui entrar na linguagem dele...



Foto:zbde http://plfoto.com/zdjecie,zwierzeta,pliszka-gorska,1848558.html

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eu não quero mudar o mundo





Eu não quero mudar o mundo.
Não tenho tempo para isso.
Quem quer mudar o lugar do mundo actua como quem muda o lugar de um móvel:
empurra primeiro para um lado,
foi força demais,
empurra então para o outro lado,
agora com força de menos,
depois mais um pequeno toque para lá
e um ainda mais pequeno toque para lá,
e agora sim:
o móvel está no lugar.
Depois abrimos o móvel e vemos que os copos que estavam
lá dentro se encontram todos partidos. Estão a ver?

Os copos todos partidos. Que aborrecimento.
Não nos lembrámos da fragilidade do vidro.

Autor: Gonçalo M. Tavares, in “O homem ou é tonto ou é mulher”

Foto:MyCatherine

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Elegia das Águas Negras para Che Guevara


Atado ao silêncio, o coração ainda
pesado de amor, jazes de perfil,
escutando, por assim dizer, as águas
negras da nossa aflição.

Pálidas vozes em prado procuram
O potro mais livre, a palmeira
mais alta sobre o lago, o barco talvez
Ou o mel entornado da nossa alegria.

Olhos apertados pelo medo
aguardam na noite o sol do meio-dia,
a face viva do sol onde cresces,
onde te confundes com os ramos
de sangue do verão ou o rumor
dos pés brancos da chuva nas areias.

A palavra, como tu dizias, chega
húmida dos bosques: temos que semeá-la;
chega húmida da terra: temos que defendê-la;
chega com as andorinhas
que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.

Cada palavra tua é um homem de pé;
cada palavra tua
faz do orvalho uma faca,
faz do ódio um vinho inocente
para bebermos contigo
no coração em redor do fogo.


Autor: Eugénio de Andrade em Poemas a Guevara (selecção e tradução de Egito Gonçalves - colecção Os Olhos e a Memória - Editora Limiar - 1975)

Foto;wiwit


sábado, 1 de maio de 2010

devia morrer-se de outra maneira


Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem
hoje às 9 horas.
Traje de passeio". E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes.
Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios...
depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...

.

Autor:José Gomes Ferreira
Foto:depreska

domingo, 18 de abril de 2010

Lentamente corre

Lentamente corre como chuva de Abril sobre o
meu rosto.
Desligo o comando. O automatismo. Desligo o
que me liga.
A ti. À hora que persiste em ser retorta. Desligo
(me),
Rega. Gota a gota. Sou. Árvore que s’abarba
ao lanho.
Que resiste no sangue do machado que a corta.
Pusilânime.
A fruta ainda. A flor da aurora. Lamina d’água.
Néctar…Boca.
Primavera. Tela reflectida.
Lentamente corre. Lentamente (a)Vida..

.___
Foto:roobcio

sábado, 17 de abril de 2010

confidências,,.

Ouvi,
em marulhos de névoa, uma gaivota
inquisidora:
“Que fazes?
Perdeste-te?
”Olhei-a,
enroscada-nos azuis
e
procurei-me na resposta…
“Voo!”,,,disse-lhe convicto-de-evidências…
"Sim, eu sei,,,mas que fazes aqui? Perdeste-
te?” Insistiu ela em esgares trocistas…
“Não sei…provavelmente procuro…” disse-lhe
irrequieto
e
já sem voo! ( perdi-me, pensei,,, em certezas
só minhas…)
.
Autor :Almaro
Foto:Almaro

sexta-feira, 16 de abril de 2010

chuva

Outrora
Quando a chuva vinha
Era a alegria que chegava
Para as árvores
O capim
E para a gente.


Era a hora do banho sob a chuva
Meninos sem chuveiro
A água regateada na cacimba
Muitas horas de pé esperando a vez.


Era a alegria de todos, essa chuva:
Porque então fiz o primeiro poema triste?


Hoje ela veio
Veio sem o encanto de outras eras
E ergueu na minha frente o tempo ido.
Porque estou triste?
Porque estou só?


A canção é sempre a mesma
Mesmos os fantasmas, meu amor:
Inútil o teu sol ante os meus olhos
Inútil teu calor nas minhas mãos.
Essa chuva é minha amante
Velho fantasma meu:
Inútil, meu amor, tua presença.


Autor :Mário Antonio(Obra poética)
Foto:arturJM

sábado, 10 de abril de 2010

Querer-te é sentar-me na praça,




Querer-te é sentar-me na praça, logo de manhã,
só para te ver passar
Querer-te é os teus olhos, o teu sorriso cúmplice,
as tuas palavras
Querer-te é também não me veres, se por acaso
alguém está perto
Querer-te é haver sol e vento e estrelas. É o verde
das acácias e das palmeiras e as rosas de Jericó
alinhadas até à ponta das dunas
Querer-te é o castanho doce dos figos sobre a mesa,
as tâmaras, a voz da grande Kolthoum vinda de uma
janela num cântico apaixonado ao Nilo
Querer-te é haver noite - ah, sobretudo a noite! E é
o teu corpo nu, exausto, branco como um templo,
porque todos os corpos são um templo no solo
consagrado que há
Querer-te é o sorriso no rosto das crianças, o grácil
e dançante caminhar das mulheres, a fonte, as águas
Querer-te é tudo, até o meu desejo de te não querer

Autor:Victor Oliveira Mateus http://adispersapalavra.blogspot.com/
in Os Dias do Amor – um poema para cada dia do ano
Ministério dos Livros Editores

Foto:Ifrom http://plfoto.com/160374/autor.html

quarta-feira, 7 de abril de 2010

o azul do mar



O azul do mar desprende-se da água.
Dos ossos que cravei na realidade, onde pensava
que o mar se sustivesse e da qual sempre
supus também que o mar se alimentasse (de tal forma
por vezes o sentimos
encher-se de realismo), nem um só, mesmo pintado,
subsiste agora
que o tempo tudo apaga à minha volta.


Autor: Luís Miguel Nava
Poesia Completa 1979-1994
Publicações D. Quixote, 2002
Foto: silvia-anna http://plfoto.com/161414/autor.html

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Música



Como são belos os teus seios! Foram feitos
à medida das minhas mãos. Pousa-os
na minha boca e conta-me
a tua história. Não tens
história? Não tens noite nem vazio nem praia
branca? Fala-me então
do sol, da migração dos pássaros, da mansidão
das estrelas - fala-me de ti antes de possuíres
um nome, uma história. Sim
em qualquer parte
lançaremos os nossos corpos na relva; alfaias
efémeras; armas exíguas
ardidas na guerra. Como são belos
os teus seios! Trémulas
palavras. Deixa que neles eu me queime como quem
se deita num rio. Sinto
a terra mover-se. Iluminas
as águas e as estrelas. O percurso
é longo. O silêncio montanhoso. Debruço-me
na tua solidão.

.

Autor :Casimiro de Brito

Foto:fernando pedro

sábado, 3 de abril de 2010

mínimo

abarcavas-me em azul dos astros
e eu dançava plena
ao som de um poema ainda por inventar.
.
som, fonema celestial,
rio carnudo em busca do seu caudal.
.
… apenas!

.

Foto:elbandit

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O nosso “eu-mesmo” não nos mente porque SENTE, só o “eu-outro” nos engana porque grita murmúrios surdos de um espelho negro.Os espelhos só nos falam verdade quando as imagens se desfragmentam em assimetrias.O encontro está na ousadia de transformarmos o “eu-outro”, no “eu-mesmo” sem perder a cor do sentir…

.

Autor: almaro —September 5, , 2005
Foto;Shawrus

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mãe, eu quero ir-me embora


Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram -
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora - os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim - tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora - nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique -
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora - esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua - a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.

Maria do Rosário Pedreira in " O Canto do Vento nos Ciprestes",
Gótica, Lisboa, 2001, pp 35 - 36.
Foto_Marek Stan