Aqui estão as minhas escolhas do que considero melhor em Poesia,Prosa Poética e Fotografia. Domingo é dia de trabalhos de minha autoria.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
O abismo
domingo, 2 de agosto de 2026
Conclusão
Encerrar ciclos faz parte de viver,
esquecer é mais difícil:
de tudo o que foi,
algo permanece.
Autor :BeatriceM 2026-08-02
Imagem:Marta Bevacqua
sábado, 1 de agosto de 2026
Crepúsculo de Agosto
sexta-feira, 31 de julho de 2026
As vozes das plantas
neste lugar que não lembro a noite cresce silenciosa
em sua deslumbrada obscuridade, o dia esboça repouso
estremecimentos leves a pálpebra inteira a distância percorre
atenuada, ao fundo dos jardins se escutam as vozes vindas do
interior das plantas acesas na sua sombra em lugar tranquilo.
por vezes nela se guarda alguma palavra insuspeita, o olhar
demora no vazio nómada dos pequenos brilhos, movimentos
cintilados e doçura por entre a intuida convicção do desenho.
tremor da paisagem obscuro vento em seus domínios
pressentido a transportam até onde a voz arranca surpreendida
intraduzível som, templo guardado e tempo incerto
a luz resplandecendo e a noite se envolvendo em lua
por dentro, em cristal e em silêncio
quinta-feira, 30 de julho de 2026
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Avesso
terça-feira, 28 de julho de 2026
Ninguém saberá da secura de nossos olhos
Ninguém saberá da secura de nossos olhos
da dureza de nossa boca ninguém saberá
do fio das unhas da dor no dente
do sangue guardado no fundo da gaveta
ninguém adivinhará os jardins atrás do muro fechado
ninguém quebrará o ferro do portão
ninguém violentará o secreto
ninguém te tocará profundamente
ninguém te saberá
ninguém.
Por isso olhamos as nuvens
sentados ao vento que não sopra
enquanto os balanços rangem
os rádios cantam
e a rua intocável como um quadro
pintado por outro.
Por isso olhamos em volta
e o que se passa além de nossa (uma palavra ilegível)
não nos soluciona
(ninguém sabe
ninguém saberá).
O caule quebrado do girassol
o livro de Toynbee sobre os degraus
a caneta riscando o papel
as nuvens
a tarde
a rua
o medo.
Imagem : Laura Zalenga
domingo, 26 de julho de 2026
O sentir
O sentir, por vezes,
tantas vezes,
não é partilhado.
Por vezes,
é apenas um sincronismo
de olhares
que não foram vividos.
Autor : BeatriceM 2026-07-26
Imagem :Anna O.
sábado, 25 de julho de 2026
somos os que a morte reconduz
somos os que a morte reconduz
à rapidez das lágrimas, ao ritmo brutal
de uma festa que nada antecedeu:
hiato que a mão utilizou para guiar
a dor pelo trilho da suspeita; somos
os que a morte reconhece como a sua memória,
um rasto que procura a presa e a encontra
no homem que se embrenha por caminhos
dissimulado no seu próprio esquecimento
in ofício de vésperas
sexta-feira, 24 de julho de 2026
...
Nota: Poema atribuído erroneamente a Alice Ruiz.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Regresso
Por toda a parte espectros
Do mapa percorrido em cinco e quarenta
Prolongados anos
A cidade encontra
O espectro do que eu fui
Saído dos horrores da adolescência
Filtra obscuramente
O meu imo
Que não conheço
Vem
[irreconhecível
Ao meu encontro
Tacteamo-nos no escuro
Apaixonadamente
O amor é cego
Mas só ele permite
Realmente ver
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Não vou perder tempo a procurar amores perdidos,
Não vou perder tempo a procurar amores perdidos,
perdidos na adolescência, na praia,
na floresta, noutros olhos, noutras bocas, noutros corações,
vou ao funeral, levarei flores, as preferidas, três dias de luto,
vou guardar só as boas memórias, as memórias boas,
vou deixar doer até a dor desaparecer,
morrer à míngua como sem água uma planta num vaso,
vou visitar velhos amantes,
jóias sem par, de pôr e tirar,
brincos, botões de punho, anéis de pedras perdidas,
camas onde tenho sempre lugar,
corpos que me protegem em concha,
bocas que beijam os meus defeitos,
vou olhar com olhos em cio todos os habitantes da cidade,
e no olhar mais brilhante encontrar um novo amante,
a quem vou, uma vez mais, chamar amor
e amar, poro a poro, sem pudor e sem decoro,
como um dia amei os meus amores perdidos.
Autor : Raquel Serejo Martins
terça-feira, 21 de julho de 2026
Simples
domingo, 19 de julho de 2026
O tempo
Acho que o tempo escasseia,
diluindo-se em dias.
Não sei quantos ainda me serão dados.
Não conseguirei relatar o que desperdicei sem saber,
nem descrever o que ficou por dizer,
nem o que disse sem pensar — e sem querer.
Talvez ainda me sobre tempo
para, numa qualquer casualidade,
numa curva do destino,
ainda te conseguir encontrar
e levar comigo, em memória crua,
a tua presença, que ainda
predomina em mim.
Imagem : Duong Quoc Dinh
sábado, 18 de julho de 2026
O Sangue das Horas
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Sempre amei por palavras muito mais
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Natureza Morta Com Maças
É triste
o espectáculo do amor
apodrecendo aos poucos,
na fruteira
as maçãs que te trouxe
têm agora a pele seca e enrugada.
Autor : Luís Filipe Parrado
in Entre a Carne e o Osso, 2012
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Já escondi um Amor com medo de perdê-lo,
terça-feira, 14 de julho de 2026
O pior são os dias
O pior ainda são os dias em que toda
a escrita é despropositada e incómoda.
A mão que ousa o verso é lenta e trémula,
prolongando o tédio sobre a página.
Tudo é branco em redor como uma duna
ou uma doença subterrânea. Aquele que escreve
está inclinado sobre a água ou sobre a
noite e nenhuma fala lhe ascende à boca.
Tece-se o não dizer com ínfimas agulhas
e se houvesse uma arca para guardá-lo
seria larga e brilhante como uma casa.
Havia de morar nela a solidão dos grandes
dias cinzentos e dentro dela
uma pequena pedra polida e esguia.
(de Os Achados da Noite, 1992)
Imagem : Alex Stoddard
domingo, 12 de julho de 2026
Paradoxo
Já não te deitas na minha cama
paradoxalmente, o sono também não
a minha cama é apenas cama
metamorfoseada nos contornos invisíveis
de corpos unidos
de um tempo que ficou no pretérito.
Autor : BeatriceM 2026-07-12
Imagem:Rosie Hardy



















