quinta-feira, 16 de junho de 2022

O Riso


Por substituição das emoções a poesia
recorda uma arte escura: vagares, caligrafia
da estação que ondula, oscilação de um cálamo
a meio do branco. A natureza encurva-se,
o coração assenta de modo a ver o mundo.
Eis um dia inteiro, o trabalhar dos olhos,
a falta de sentido de iluminar a luz.
A sombra é sem esforço, a respiração respira,
encontra-se uma face, transforma-se num som,
pequenos acidentes dilatam-se no céu.
Palavras que se apagam. Pensamentos fáceis.
Se isto é poesia eu rio-me no fim:
é como estar sentado, não ter arte nenhuma.

Autor : Carlos Poças Falcão
Imagem : Willem Haenraets

5 comentários:

brancas nuvens negras disse...

A poesia, uma definição.
Um abraço.

Cidália Ferreira disse...

Gostei bastante!
.
Coisas de uma Vida

Beijos. Votos de um bom feriado.

- R y k @ r d o - disse...

Tela e poema, deslumbrantes de ver e ler.
.
Cumprimentos poéticos.
.
Pensamentos e Devaneios Poéticos
.

Paula Saraiva disse...

Uma definição. Gostei bastante
Beijinhos

Paula Saraiva disse...

Uma definição. Gostei bastante
Beijinhos