Josep Moncada
É o dia a dia amante do poeta
um rosto contra todas as pátrias
num arco de versos no deserto do século
uma cratera aberta no silêncio
para engolir todo o pranto da terra
até o homem ficar nu
ouro sobre azul sobre a morte
definitivamente
É o dia a dia amante do poeta
as letras do seu nome
pronunciadas no abismo
enquanto um povo inteiro desaparecido em beleza
sob a asa do mistério
canta na sua boca
e um oceano e outro oceano
amanhece contra o coração
toda a saliva do amor
como uma serpente
sorrindo num vendaval de estandartes brancos
desfraldados a teus pés
caligrafia de aves sobre o precipício
antes do relâmpago
na neve devagar
até explodir nos lábios
Autor : António José Forte
*Poemas do livro “Un couteau entre les dents”,

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