súbito vem o desejo
de um poema em que não caiba
a palavra eu
mas ela desconfiada
salta para dentro da pura
intenção: haverá sabotagem
nesse ao redor
nesse céu de tanto azul
nessa mosca pesada e lúdica
batucando na janela?
tantas coisas prescindem
de mim
tudo é maior do que eu
e no entanto
este instante
em que se pensa isto
em que se escreve isto —
será menos do que
inequivocamente meu?
Autor : Adriana Lisboa.
Imagem Elena Kalis

2 comentários:
Ah, Adriana Lisboa, como é potente seu texto!
Obrigado pelo seu olhar penetrante no poema Meada.
eu é que agradeço JC!
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