terça-feira, 10 de junho de 2008

II



Gosto de ti desesperadamente: dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto, dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso; dos teus seios de ambrósias, brancos manjares trementes com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias;
de teu ventre - uma enseada - porto sem cais e sem mar - branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar; de teu quadris, instrumento de tantas curvas, convexo, de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo;
- do teu corpo só de alvuras - das infinitas ternuras de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos, mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem esses desejos da gente...
Gosto de ti desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela, dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela, (há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés) - gosto de ti, feiticeira, tal como tu és...
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Autor:J.G.Araújo Jorge

3 comentários:

Nilson Barcelli disse...

"Gosto de ti desesperadamente"...
E eu gostei do texto que escolheste.
Tens muito bom gosto.
A foto também foi bem escolhida.

Beijinhos.

Mariana Botelho disse...

simplesmente lindo!
aliás, lindos todos.
gosto refinado para palavras, dona moça.

saudações.

Nana

Eros de Passagem disse...

Tipo de poesia que não apenas descreve a beleza, mas a sensação de se perder nela.