sexta-feira, 20 de abril de 2018

Que este amor não me cegue nem me siga.


lukrecja czerwonajcio

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

Autor : Hilda Hilst
in 'Cantares do Sem-Nome e de Partidas'

2 comentários:

Gil António disse...

Que esse amor, para sempre, inunde o seu coração e refresque a sua alma.
.
* Criança brincando ... em interno lamento. *
.
Cumprimentos poéticos.

Larissa Santos disse...

Um poema que é um luxo. Adorei :))

Hoje:- O teu convite surreal.

Bjos
Votos de um bom Sábado