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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Tudo!

Michael Vincent Manalo

Perdoas-me?
Tudo!
O que não consegui dizer-te com os meus silêncios.

De nós anseio apenas o beijo desesperado
Aquele que nunca demos na praia nossa
Onde nunca fomos
Num dia igual ao de hoje
O temporal com sabor a salgado
De nuvens carregadas de saudade húmida!

Um beijo confundido com as lágrimas
E o sal do rosto
Olhos fechados
O corpo apertado um abraço aflito.

O ruído das velas gastas nas vergas soltas
O balouçar do convés a desequilibrar-nos
Os braços cansados deste abraço que somos ainda
Os olhos cerrados que não vêem os rostos fechados de agora
E o navio é demasiado grande para nós que já não somos
A praia açoitada pelo vento de norte
Deserta!
Definha na memória

Perdoas-me?
O desistir de ti


Autor : João marinheiro, 2008

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O coração todo teu


Michael Vincent Manalo

Agora que sabes que te amo
O coração todo teu
Para lá do tempo


Envolves-te no manto do silêncio
Eu aqui na angustia da espera

Tardas

Envelheço nas curvas dos dias
Sem memória já
do teu corpo inalcançável
e fico adormecido


este amor
tão doloroso de ausente
como ausente sou sempre
das noticias tuas que tardam


a ausência esse lugar dos destroços
agora que sabes que te amo
o coração todo teu


Autor : João marinheiro 2008

domingo, 10 de março de 2013

Um verão distante




Estou por aqui queimando o tempo
vazio de mim
desejando-te
e tu és memória difusa
de um dia em que te amei
sinto um vazio pleno de emoções
estou despido, nu de sentimentos
desejo-te
já não sei quem és
memória de um dia antigo
um verão distante.

Autor : João marinheiro Junho 2004 http://porquexistes.blogspot.pt/


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Queria.....



Queria dizer-te que já abandonei os barcos. Queria que soubesses. Queria dizer-te que agora já não existem motivos para que partas, já não te troco pelo mar e os barcos são só memória. Mas é a tua que se sobrepõe a todas as outras memórias mesmo sendo a água a primeira memória da humanidade.

Só queria que soubesses isso. Que abandonei os barcos

Agora para matar o tempo, para que saibas também, passeio pela beira-mar na praia que foi a nossa no cabo do mundo. E se um dia resolveres regressar nem a vais reconhecer…

Autor:João Marinheiro
Foto:komarek66

sábado, 2 de maio de 2009

...Escrevo porque não te posso falar. Não estás. Não me escutas. Se
estivesses tudo era diferente. Pelo menos tentava não cometer os
mesmos erros. E se quisesses partir de novo eu queria ir contigo
desta vez. Porque da última vez que partiste nunca mais voltaste....
Nada sabes de mim...


Foto:Roko

domingo, 5 de abril de 2009

...Prometemos um ao outro, as coisas
impossíveis. O amor proibido. As palavras
infinitas. Os livros que nunca lemos. As mãos
que nunca demos, os beijos que nunca trocamos.
As carícias do olhar que agora
está vazio.
Prometemos! Prometemos o tudo
e temos o pouco. Demasiado pouco!
Tu não sabes e eu desisto outra vez. Cansado.
Os dias horríveis tentando parar o tempo em
cada milésimo de segundo que seja.Tu não sabes!
.

Foto:Carlos Vilela

terça-feira, 7 de outubro de 2008

são

São duas e tal da madrugada e tenho medo
Tu já não estás comigo.
Hoje deito-me só.
Levanto-me só
Quero dormir não consigo, sinto a falta de ti na distância do meu abraço.
Tu sabes que gosto de te sentir.
Descansar a minha mão em ti
Beijar-te pela madrugada enquanto dormes sorrindo.
Olhar-te
Tu sabes e já não estás.
E sinto frio o teu lado da cama
E sinto esta cama tão grande sem ti.
E tu não estás!
E eu amo-te.
É mais forte que eu.
Este sentir amordaçado…
.
Autor: joão marinheiro

Foto:Paulo César http://www.paulocesar.eu/ - paulo cesar

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

sem nome

Eu a esperar-te. O tempo a passar lento. Demoramos. As mesas vazias. O café vazio. Eu a esperar-te. Eu a imaginar-te. Tu a chegares. Tu a chegares. Tu a caminhares. Tu a sorrires. Tu a murmurares. Desculpa – estou atrasada! O tempo a começar a andar. Tu a ficares próxima. Eu a admirar-te. Tu a sorrires. Espécie de sol na minha vida. Eu a olhar-te. O tempo a andar mais depressa. Eu a querer-te. Tu nem por isso. O sol nos teus olhos. Eu a querer apanhar o sol. Tu quase a partires. O tempo a correr. Tu a saíres pela porta. Eu parado. O tempo que voa agora. Foste embora de novo. Eu a tropeçar na saudade. O sol a esconder-se. Eu a descer a rua ao contrário. Tu para norte. Eu para sul. Eu a querer-te. Tu nem por isso. Eu num café numa cidade qualquer. Uma mesa qualquer. Uma chávena vazia. A mesa vazia. Eu vazio. Um vazio imenso. Um silêncio imenso. Eu vazio de ti. Eu a esperar-te de novo. O tempo a passar lento outra vez. Eu a perder a vez. O sol a ir também. A noite em mim. O silêncio que chega. Eu a esperar-te ainda. A não dizer que te amo. O amor adiado. Eu a querer-te. Tu nem por isso.
.
Autor:João marinheiro 02/08/08


Foto:Wilktors

terça-feira, 5 de agosto de 2008

já não sei

Já não sei da ternura nos teus lábios
A carícia das tuas mãos
O amor pleno nos teus olhos
Já não sei de mim
Ou de ti que foste embora
Já não sei
Dos dias calmos quando passeávamos de mãos dadas
Pelo entardecer do rio
O adormecer do sol quente
O vento meigo
Já não sei.

Autor:joão marinheiro 2007

sábado, 15 de março de 2008

tu não existes


Ele disse-lhe:
- Isto é um jogo!
Tu não existes!
Eu de te querer tanto é que te imagino.
Imagino-te tanto que te sinto quase real.
Mas não existes.
Eu é que insisto em que existas. Eu só!
-Isto é um jogo ouviste!

Ela não lhe respondeu…


João Marinheiro