domingo, 30 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo de 2013

Imagenes Gratis para Navidad y Año Nuevo 2013

Desejo um Ano de 2013 cheio de paz e amor a todos os meus amigos/as, aos meus seguidores  e a todos os anónimos que passam por aqui.

Bem hajam!


Fotos de Vino Tinto, Copa y Uvas

domingo, 23 de dezembro de 2012

Feliz Natal

Imagenes Gratis para Navidad y Año Nuevo 2013

Confesso que o natal me faz confusão.   Muitas atitudes (só porque é Natal) que não entendo outras tantas que não compartilho e prefiro ficar quieta e calada e não alinhar em certas coisas, só porque sim, ou porque é socialmente correcto.

Respeito as ideias e os rituais de cada um, mas sou assim e assim me vou manter, confusa.

Mas e como é Natal venho por este meio desejar a todos os meus seguidores e para os leitores que visitam este espaço um

Santo Natal de 2012




Beatrice Mar Imagenes Gratis para Navidad y Año Nuevo 2013

domingo, 16 de dezembro de 2012

Momentos



Sento-me nas escarpas do vento
Nos medos – de mim
Abraço esta solidão do tamanho
De um mundo
Dum futuro incerto
Surda e muda
Afago uma nuvem
E a lágrima que se confunde
Nem a sinto
Olho e
Só esta chuva que cai e
Agita a praça
Me faz sentir que vivo
Ainda
Aqui
E agora.
.
Autor: BeatriceM 16-12-2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Meus passos




Meus passos, caminham.  Nem sempre certos. Errantes, seguem trilhos tortuosos.  Deambulam ruas e vielas.  Noites e dias.  Estão cansados, muito cansados e sonham com um porto que não existe.  E um sorriso se afivela num rosto silencioso que esconde  dor, muita dor . Um dia ainda volto a trabalhar neste (no meu) País.

Meus passos caminham….


BeatriceM 2012.12.09

Foto :gra-fick

domingo, 2 de dezembro de 2012

Detalhes

Bebo 
O frio da tarde entranhado em mim, enquanto olho 
O esvoaçar dos pássaros. 


Vagueio, sobre a areia em andaimes de vento 
Com trilhos dúbios e sem fins concretos 
Ou genuínos. 

Sorvo a vida apenas, e busco o abraço das nuvens 
E a luz do luar, que não demora 
No silêncio da tarde agonizante. 

E agarro o meu sonho, estilhaços de cor e fantasia 
Que ouso preservar como um tesouro 
Só meu com fragmentos de sal e sol.

.
Beatrice



domingo, 11 de novembro de 2012

Eu escrevo amor



Eu escrevo amor. E nem sei porquê. Não sou eu a pessoa certa para escrever amor, e não saber explicar o que é o amor. E tu ris. Ris muito. Olhas – me e só ris, não falas, e no entanto eu seria capaz de dizer que te ouvi dizer baixinho que eu sou o amor, que sou o teu amor e que isso basta. Mas eu sei que nem estás aqui e que não falaste. Deves estar em algum lado a ouvir música ou no cinema com alguém. E eu volto a escrever amor. Assim: AMOR. E acho que estou com uma expressão idiota e cândida e nem sei porque estou aqui a meio da tarde a fazer figura de parva, enquanto tu nem deves lembrar (mais) que eu existo. E eu que estou aqui a escrever amor, como se fosse um filme que se desenrola e onde todos sabem o que significa amor, menos eu. E tu ris e dizes que eu sou lunática. E eu sei que nem falaste que sou eu que oiço vozes e que oiço a tua. E tu nem sabes que eu estou aqui a escrever a palavra amor e que acho que sei o que significa, mas que não sei explicar. Acho que é um subterfúgio apenas para pensar que um dia ainda me dizes. 
És o meu amor!

Beatrice 2012-11-11
Foto : chudzyy

sábado, 3 de novembro de 2012

doem-me



doem-me, talvez os olhos, (ossos do sentir?)

talvez o mar que perdeu as gaivotas no marulhar dos sentidos...

doi-me este teatro de sombras, que me envolve na ensónia das noites que se fingem ausentes do espelho que se estilhaça no sal das lágrimas,
e no entanto vou,
todas as manhas para o lugar dos passos que me desenham o futuro...

.

Autor : Almaro


domingo, 28 de outubro de 2012

Divagação



Tu vais ter sempre o teu mundo tão próprio, tão pessoal, tão secreto e intransponível que mesmo por ser tão misterioso, nunca mais me vai atrair.

 Posso mudar de cidade, de rotinas até de país, e, não será por isso que vou compreender a tua filosofia de vida.

Não vou!

 Mas, também já nem me afecta muito.

 Cansei de viver uma vida que não era a minha, mas a tua, e mesmo assim saber que não valeu a pena. Eu era uma actriz que apenas contracenava para um espectador.

Por vezes ainda choro e quero acreditar que foi apenas uma fase que passou.

 Um dia vou voltar para um lugar onde o mar seja mais azul e a praia mais amarela.

 Por vezes, ainda me doem os ossos e por vezes ainda sinto o meu corpo em chamas.

 E talvez em algum lugar alguém me espere, mesmo que não seja tu.

Autor : BeatriceM
Foto . UM

domingo, 21 de outubro de 2012

É quase meia-noite



É quase meia-noite, vou até à varanda e sinto frio.   Lá em baixo um cão corre, saltando as poças de água que se formaram com a chuva que hoje caiu ininterruptamente.   Passou mais um dia, sem nada de novo.   Tenho o nariz a pingar e resolvo entrar para dentro.   Esta casa é pequena.   Tenho em cima da mesa jornais velhos, nem os li, separo-os.  Amanhã vão para o lixo.  Retiro as fotos que tenho sobre a mesa-de-cabeceira, que me sorriem, e já não me dizem nada.   Ou talvez digam.   Eu é que já feneci.   Depois desse tempo em que ainda sorria e fazia pose,para a câmera.  Hoje foi a última vez que assinei o meu nome, com uma parte do dele.   Assinei e não volto mais a assinar.   Isso não importa.   É apenas um nome.   Tenho frio.   E não tenho sono!   Apenas tristeza.   E uma solidão imensa espalhada por toda a casa, uma solidão maior que a casa que até é pequena.
-
BeatriceM 2012/10/21

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O Medo




(Sabugal, 18 de Novembro de 1943 –Porto, 19 de Outubro de 2012) 



Ninguém me roubará algumas coisas,
nem acerca de elas saberei transigir;
um pequeno morto morre eternamente
em qualquer sítio de tudo isto.

É a sua morte que eu vivo eternamente
quem quer que eu seja e ele seja.
As minhas palavras voltam eternamente a essa morte
como, imóvel, ao coração de um fruto.

Serei capaz
de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?

Manuel António Pina, in "Nenhum Sítio"

domingo, 7 de outubro de 2012

Recuo no tempo


Recuo no tempo e no espaço
E sei que ando à deriva
Como barco em tormenta
Sem bússola
Águas amotinadas impedem
A minha chegada
A algum porto de abrigo
Estou completamente só
Aqui
Agora
E para sempre

A escuridão tomou conta de mim
E nem o azul do céu me sorri
Mas
Deixo-me ir ao sabor do vento
E se calhar
Algum porto haverá
À minha espera

. BeatriceM  2012-10-07


domingo, 23 de setembro de 2012

Ausência




Já não sei se te oiço, ou se é eco somente
Na imaginação (minha)
É
Deve ser
Claro que é
Agosto acabou e tu foste
E levaste contigo tudo o que fantasiamos
Juntos
Deixaste os domingos para sempre
Envoltos nesta saudade
De ti
De nós
A tua ausência é este vazio
É este corpo que reclama
O apêndice do teu
Eu podia dizer que estás aqui
Que ainda te oiço
Mas tu não estás
E nunca mais vais estar.

BeatriceM 2012-09-23

Foto George Bednarski

domingo, 9 de setembro de 2012

Crepúsculo



Uma lágrima insolente
Teimou em cair
Soprei-a para longe
Cansada do seu  sabor a sal
.
Caiu desprotegida
E perdeu-se na suavidade
Da pele sem maquilhagem
.
Transformei-a num sorriso
E abraçei a saudade de ti
Na tarde incandescente de sangue
.
BeatriceM 2012-09-09


domingo, 5 de agosto de 2012

Crepúsculo


Não me iludo
No meu horizonte vislumbro
O crepúsculo do dia
A noite cinge-me
E eu quero um devaneio
Feito deslumbramento
Num braçado de estrelas cadentes.

BeatriceM

domingo, 29 de julho de 2012

A Luz


Todos os espelhos desertaram.
Agora, apenas existem reflexos (sombras) de mim
que entretanto me farão reerguer
e renascer das cinzas
e, amanha, terei o brilho da luz
que hoje insolente e perversa
 me abandonou.
.
Autor : BeatriceM 2012-07-29
Foto : kwiat7

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Desfio



Desfio reflexos ( de ti) em mim. Sonhos de tempos (idos). Cheiros de mar (calor de sol). Tatuados em mim (sempre) enquanto me ser Eu por inteiro. Destroços de lembranças que o tempo não apaga…
.
Autor: BeatriceM 2012-07-23
Foto: -Salvador-

domingo, 15 de julho de 2012

Asas



Não sei porque tirei as sandálias, e  entrei na noite a procurar, um sonho em forma de passáro.

É noite, e os pássaros já se recolheram nos seus ninhos.

Eu sei que o sonho tem asas, e  um dia eu também quero regressar ao lugar dos passáros mesmo que não tenha asas.
.
BeatriceM

Foto  Arveth

domingo, 8 de julho de 2012

A tarde



A tarde, caiu, impediosa, e a noite ocupou a minha visão que se prolonga pelo mar.
Eu sei que pode parecer estranho, mas eu gosto de contar os meus segredos ao mar.
Sei que nunca obtenho respostas, mas, por vezes, sou eu que o abraço nessas cumplicidades.
E quando as lágrimas caem e se confundem com as ondas, eu sinto-me completamente purificada.
.
BeatriceM
Foto : MaciekPorto

domingo, 17 de junho de 2012

Domingo



É domingo,
e eu a sentir os raios
do sol que me entra pela janela do meu quarto. No entanto,
na cama em que me espreito silenciosa,
eu queria abraçar o sol a dormir,
como se fosse um corpo algures,
perdido nas areias quentes da praia.

Autor BeatriceM 17-06-2012

domingo, 10 de junho de 2012

saudade


de nada me ajudou, partir e deixar a cama vazia
e arrastar esta saudade, de cidade em cidade
de país em país,
este peso em mim e em todas os lugares
que andei sem ti , e contigo, no pensamento
e os cheiros a me assaltarem as narinas desentupidas
e a chuva a cair em todos  os cantos do mundo
e as marés a ensaiarem seu bailado nas areias
e eu a olhar, e a ver sem ver
a tua imagem em forma de melancolia
e a agarrar o vento que me trazia
saudades de ti.
.
Autor: BeatriceM













domingo, 3 de junho de 2012

Ocaso




Não sei que areias me levam neste lacónico
ocaso de nós
não sei que sentires negamos, sempre
enquanto a areia nos calcinava os pés.

Não sintas palavras que a brisa levou
e
vem pela tarde ao pontão da praia
dançar comigo na areia.

E deixa que o beijo nos queime
no ocaso de nós.

BeatriceM





domingo, 27 de maio de 2012

Momentos



Há momentos esquisitos e dias ainda mais. Os pensamentos tornam-se misantropos e só ambicionamos hibernar. Não encontramos sentido nas coisas, não existem cores, nem fragrâncias. Nem nada que nos prenda a alguma coisa.

Há dias assim, em que morremos aos poucos e nem nos apercebemos.

E não devia ser assim.
.
Beatrice

sábado, 26 de maio de 2012

....




Amélia Pais
1943-2012

“Penso em ti como um desejo interrompido 
que se teceu na minha memória.
E sonho-te mais do que te recordo. 
Seleciono. Invento-te um nome, um rosto. 
Reconstruo. Reconstruo-te. 
Peça a peça. 
Minuciosamente – real ou irreal, 
- Assim te lembro.” 

Autor:Amélia Pais

domingo, 20 de maio de 2012

meu amor


meu amor.  não te devia chamar assim.  talvez nos caminhos do sul as papoilas te façam lembrar de mim.  talvez. porque não sei os caminhos que te levaram para longe, porque nem eu podia fazer parte desses caminhos.  a vida é fácil para quem ama e foi isso que eu nunca entendi.  aliás nem quis entender. meu amor.  se nos caminhos do sul souberes um dia as cores das manhãs que existem – ainda – nos meus sonhos, então é que também ainda subsiste resquícios de mim em ti.   e só isso interessa.

Autor : BeatriceM
Foto : Lara3

domingo, 13 de maio de 2012

Piano em silêncio


Bernardo Sassetti
24 de Junho de 1970
10 de Maio de 2012
.
As trevas a deambularem
no vazio do tempo
é tarde o silêncio 
nas teclas do piano
as poeiras são fragmentos
de mágoa
exaustas na demanda da 
partitura que ainda lá está
à espera dos teus dedos.

.
Autor :Beatrice

domingo, 6 de maio de 2012

e ...


sonhei teu corpo, depois de conhecer teu rosto.  chamei, teu nome, antes  mesmo de mo dizeres.   por vezes olhava-te e pensava que tu não eras real, que eras uma imaginação da minha mente perturbada.  eu seria apenas uma mariposa em redor duma luz, que os teus olhos lampejavam.    pensei. sonhei. sem saber discernir o sonho e o pensamento.  a realidade.   a utopia.  sonhei.   ainda sonho com o teu beijo e o fim das alvoradas.

.

autor :BeatriceM  2012-05-06
foto: Paulo César

domingo, 29 de abril de 2012

...




gostava de voar, mas as asas por vezes frágeis cortavam-se por entre o improvável voo , vezes outras, eram pesadas demais, nesses dias vogava pelo sonho e aspirava o aroma da maresia do mar .  um dia experimentou chorar e não gostou do sabor a sal das lágrimas. desde esse dia criou um palco de alegrias onde,e, só o sorriso tem lugar.
.
autor: Beatrice

 Foto : Srebrna Kropla

domingo, 22 de abril de 2012

Linho,que desalinho


Linho, que desalinho!
Como te invejo, maganão!...
Alcanças tu, atrevido
Onde não chega a minha mão...

Andas prá aí todo ufano
Em rimas de poesia...
Tomas por arte o engano
E por louca a fantasia...

Quando devias, é certo
Ser apenas alvura
E deixares a descoberto
A doce formosura
Em resguardo deitada
Abrindo-se como uma rosa
Ao perfume da madrugada...

.
Autor : Senador

domingo, 15 de abril de 2012

Há Palavras


Talvez um dia eu ouça as palavras que eu imaginei e nunca me disseste, não é um exercício da minha mente nem tão pouco um desejo que mantenho. Talvez seja apenas um segredo que guardei no silêncio, da partilha dos corpos e que nunca falamos. Há palavras que não são ditas em voz altas. Há palavras que se desenham no olhar.
.
Autor:BeatriceM
Foto:LAQ

domingo, 1 de abril de 2012

Que Fizemos


Que fizemos dos nossos sonhos, e dos
beijos que trocamos, quando nada era proibido
e tu vinhas à noite por entre as árvores da praça
e eu esperava-te no café da esquina.

Hoje somos dois estanhos que se refugiam
na melancolia dos dias, e quando te procuro
com o olhar por entre as árvores da praça
é apenas uma sombra que imagino.

mas nunca és tu

Autor : Beatrice
Foto: absentia

domingo, 25 de março de 2012

Esqueci



Tantas vezes me dizias que me amavas
 E eu sabia que era mentira 
Mas fingia e acreditava
 Porque nada tinha senão as tuas palavras

 Esqueci 
 As esperas a imaginar
 As chegadas 
Que eram apenas partidas 
 Apenas promessas em palavras

 Esqueci

 As datas
 Os locais
 Tanta mentira que quando
 Se transformou em verdade 
Eu pensei que era mentira

 E simplesmente esqueci

E esqueci-te


Autor : Beatrice
Foto: OczywistaPanda

domingo, 18 de março de 2012

Falesias


Poder-me-ão encontrar, trago um rapaz na minha
memória, a casa a uma janela
da qual o faço vir como um sabor à boca,
falésias onde o aguardo à hora do crepúsculo.

Regresso assim ao mar de que não posso
falar sem recorrer ao fogo e as tempestades
ao longe multiplicam-nos os passos.
Onde eu não sonhe a solidão fá-lo por mim.
.
Autor : Luís Miguel Nava
Foto : The Professor


domingo, 4 de março de 2012

Ofício de Amar



já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras galáxias, e
o remorso



um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas



ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade de meu próprio corpo

Autor : Al Berto In O Medo

Foto : monicy

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Estavas sentado e havia uma paisagem agreste





Estavas sentado e havia uma paisagem agreste
nos teus olhos: as nuvens a prometerem chuva,
os espinheiros agitados com a erosão das dunas,
um mar picado, capaz de todos os naufrágios.

O teu silêncio fez estremecer subitamente a casa -
era a força do vento contra o corpo do navio; uma
miragem fatal da tempestade; e o medo da tragédia;
a ameaça surda de um trovão que resgatasse a ira
dos deuses com o mundo. quando te levantaste,

disseste qualquer coisa muito breve que me feriu
de morte como a lâmina de um punhal acabado
de comprar. (Se trovejasse, podia ser um raio
a fracturar a falésia no espelho dos meus olhos.)

Hoje, porém, já não sei que palavras foram essas -
de um temporal assim recordam-se sobretudo os despojos
que as ondas espalham de madrugada pelas praias.

Autor : Maria do Rosário Pedreira

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Na noite


Na noite existem estrelas mágicas
Que me levam a alumiar o caminho
Entre o céu e o destino

Em archotes de luz ávida
E esplendorosa
Semeio pirilampos

E percorro mansamente
Os trilhos proibidos que me levam a ti
.
Autor :BeatriceM 2012-02-12
Foto: Rockania

domingo, 5 de fevereiro de 2012

...


ladro à lua faminto de teu corpo
nas infinitas noites
em que não vens apesar do grito!..

tomo-te em meu corpo febril
como adolescência do desejo
em solidão desesperada!...

colho-te pura flor da madrugada
entre orvalhos e lascívia sibilada
em que te deito sem te ter!...

sorvo-te no altar da tuas coxas
persigo a meta como caça em língua
resoluta em febre de greta  molhada...

sublimo-te na explosão do meu sexo
como gota na sofreguidão do beijo
como se tu viesses toda inteira...


Autor:Senador
Foto: Jerzy Sowa, Jr.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Haverá talvez


Haverá talvez um modo de amanhecer
que revele nos olhos o secreto ardor
com que se levanta o trigo enorme.

Haverá talvez um lago que a noite não toque
e de dia em dia, como ontem, como amanhã,
cante a mulher que ali foi ver nascer o filho.

Haverá talvez um suor que não o do sacrifício
e com o qual a pele cintile como uma borboleta
que vem descendo o céu até à flor dos teus lábios.

Haverá talvez uma fala onde nos poderemos encontrar
sem que a tua mão esqueça a minha, sem que o sorriso
esconda o vazio, uma fala que só possa e saiba dizer nós.

Haverá talvez um poema em que o soluço aperte as veias
como o rio aperta o mar, um poema em que eu e tu
dormimos sobre o luminoso esplendor do universo.

 Autor : Vasco Gato

domingo, 22 de janeiro de 2012

É hora da partida


É hora da partida – esperada
A roupa cobre o meu corpo 
Agora só meu
E deixo desordenados 
Aromas impregnados no teu 

Descansas num mar revolto
De sentires 
De desejos consumados
E de olhos fechados – dormes
Sonhando prazeres partilhados

Já não estou mais ardendo
No lume que nos queimou
No ocaso que chegou
No eco que se desfez
Na hora da partida que se anunciou

E vou pela calada
Dançando em passos ligeiros
Ainda com vestígios de beijos e mel
E das carícias que ficam 
A flutuar em parcelas de saudade.
.
Autor : BeatriceM 22-01-2012
Foto: Laura Makabresku