quarta-feira, 4 de abril de 2018

Falavam-me de Amor


Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Autor : Natália Correia
in 'O Dilúvio e a Pomba'

2 comentários:

Gil António disse...

Poema doce, lindo, maravilhoso.
.
* Promessas de Amor em Versos Poéticos *
.
Deixando Saudações Amigas.

LuísM Castanheira disse...

natais do nosso descontentamento.
e corpos ausentes de sombras e mel
derramado.
a natália era, é, uma grande poeta/escritora e, tão esquecida...
um beijo, amiga.