Eu escrevo amor. E nem sei
porquê. Não sou eu a pessoa certa para escrever amor, e não saber explicar o
que é o amor. E tu ris. Ris muito. Olhas – me e só ris, não falas, e no entanto
eu seria capaz de dizer que te ouvi dizer baixinho que eu sou o amor, que sou o
teu amor e que isso basta. Mas eu sei que nem estás aqui e que não falaste.
Deves estar em algum lado a ouvir música ou no cinema com alguém. E eu volto a
escrever amor. Assim: AMOR. E acho que estou com uma expressão idiota e cândida
e nem sei porque estou aqui a meio da tarde a fazer figura de parva, enquanto
tu nem deves lembrar (mais) que eu existo. E eu que estou aqui a escrever amor,
como se fosse um filme que se desenrola e onde todos sabem o que significa amor,
menos eu. E tu ris e dizes que eu sou lunática. E eu sei que nem falaste que
sou eu que oiço vozes e que oiço a tua. E tu nem sabes que eu estou aqui a
escrever a palavra amor e que acho que sei o que significa, mas que não sei
explicar. Acho que é um subterfúgio apenas para pensar que um dia ainda me
dizes.
És o meu amor!
És o meu amor!

