domingo, 26 de junho de 2016

hoje

Mira Nedyalkova

hoje vesti as palavras com sorrisos
desvendei-me para ti
libertei os medos
esvoacei nos limites do sonho.

hoje renasci no momento
em que o amor chegou sem
se fazer anunciado.

Autor:BeatriceMar

sábado, 25 de junho de 2016

"Boa Noite Solidão"


Boa noite solidão
Vi entrar pela janela
O teu corpo de negrura

Quero dar-te a minha mão
como a chama duma vela
Dá a mão à noite escura

Quero dar-te a minha mão
Como a chama duma vela
Dá a mão à noite escura

Os teus dedos, solidão
Despenteiam a saudade
Que ficou no lugar dela

Espalhas saudades pro chão
E contra a minha vontade
Lembras-me a vida com ela

Espalhas saudades pro chão
E contra a minha vontade
Lembras-me a vida com ela

Só tu sabes, solidão
A angústia que traz a dor
Quando o amor, a gente nega

Como quem perde a razão
Afogamos o nosso amor
No orgulho que nos cega

Como quem perde a razão
Afogamos o nosso amor
No orgulho que nos cega

Com o coração na mão
Vou pedir-te, sem fingir
Que não me fales mais dela

Boa noite solidão
Agora quero dormir
Porque vou sonhar com ela

Boa noite solidão
Agora quero dormir
Porque vou sonhar com ela
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Autor : Jorge Fernando 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Solidão

Sarah Jarret

Cai chuva, chora.
Chora, chora.
Solidão, solidão!

Já não canta o pássaro.
Calou-se a voz, a alegre, a rara.
A que se ouvia solitária.
Cai chuva.

Não sou freira e estou num convento.
A paz, o silêncio, a chuva, os claustros...
Ser freira!

O sequestro, cantar, rezar.
Cai chuva, rude e sem dor.
Tu não choras.
Sou eu que choro.

Que é do pássaro, como cantava?
Voltou, voltou. Pia!
Bendito pássaro, onde estás?
Acompanha-me, já não chove.
Solidão, melancolia.

Autor : Irene Lisboa
in 'Outono Havias de Vir'

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Amor como em casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Autor : Manuel António Pina

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Encostei-me a ti

danielle kwaaitaal

Encostei-me a ti,
sabendo que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem
depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso,
e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar,
quando caí.

Autor : Cecília Meirelles

terça-feira, 21 de junho de 2016

Dois Poemas

Antonio Curnetta

Em que idioma te direi
este amor sem nome
que é servo e rei?

Como o direi?
Como o calarei?

É como se a noite se molhasse
repentinamente, quando choras.
É como se o dia se demorasse,
quando te espero e tu te demoras.

Autor : Albano Martins

domingo, 19 de junho de 2016

no presente


Andrew Wyeth

de que me serve saber o caminho,
e não o querer percorrer.
para que existem nuvens?
se estamos em Junho e é quase verão.
não quero ir,
não vou,
deixo-me ficar a ver  o presente,
a diluir-se na brisa da tarde,
e na janela entreaberta,
do meu quarto  em desalinho.

Autor : BeatriceM

sábado, 18 de junho de 2016

Poema Melancólico a não sei que Mulher

John Vistaunet

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...

Autor : Miguel Torga
in 'Diário VII'

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Paraíso

christian schloer

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

Autor : David Mourão-Ferreira
in "Infinito Pessoal"

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Eu te prometo

Liu Yuanshou


Eu te prometo meu corpo vivo
Eu te prometo minha centelha
minha candura meu paraíso
minha loucura meu mel de abelha
eu te prometo meu corpo vivo

Eu te prometo meu corpo branco
meu corpo brando meu corpo louco
minha inventiva meu grito rouco
tudo o que é muito tudo o que é pouco
meu corpo casto meu corpo santo

Eu te prometo meu corpo lasso
mar de aventura mar de sargaço
vaga de náufrago onda de espanto
orla de espuma do meu cansaço
eu te prometo meu doce pranto

Eu te prometo todo o meu corpo
ardendo eterno na nossa cama
como um abraço como um conforto

P´ra que me lembres além da chama
eu te prometo meu corpo morto

Autor : Rosa Lobato de Faria,
In a noite inteira já não chega