quinta-feira, 17 de novembro de 2022

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Não espero pouco da vida,
se dela não espero nada.
Por isso tudo o que tenho
me sabe a coisa emprestada.

O medo que à vida a vida
nós dá de tanto a vivermos,
faz que a morte tenha medo
do medo de de não morrermos.

O tempo é medo que passa,
o medo é tempo que fica,
a esperança que não espera
e pobre de um, e mais rica.

Não espero pouco nem muito,
não quero muito nem pouco,
quero só a liberdade
de ter juízo e estar louco.

Não se é muito ou se é pouco
o que a vida me tem dado;
é sempre mais do que eu quero,
para não par'cer tirado.

Não espero pouco da vida
pois dela não espero nada.
por isso tanto desejo,
sem que a tenha contentada.

Tudo o que a vida me dá
tenho medo de perder:
e, mesmo quando não perco,
é como ter e não ter.

Autor : Jorge de Sena
Imagem : Brad Romano

2 comentários:

- R y k @ r d o - disse...

Foto e poema deslumbrantes de ver e ler. O meu elogio
.
Cumprimentos poéticos
.
Pensamentos e Devaneios Poéticos
.

Cidália Ferreira disse...

Uau! Parabéns pelo excelente poema que partilha connosco. Amei!
.
O silêncio da água a cair... Reedição.
.
Beijo
Boa tarde.