sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Comovem-me



Comovem-me ainda os dias que se levantam
no deserto das nossas vidas.

Dos belos palácios da saudade
não resta a impressão dos dedos nas colunas
fendidas, e nada cresce nos pátios.

Muito além, depois das casas, o último
marinheiro continua sentado.
Os seus cabelos são brancos, pouco a pouco.

Aqui, tudo se resume a algumas tâmaras que
secaram ao sol,
longe do orvalho,
das fontes que pareciam nascer de um olhar
turvo sobre a sede da terra.

Comovem-me ainda as palavras que dizias
aos meus ouvidos aprisionados pela música.
Comovem-me as cadeiras vazias, no pátio.

Lembro-me sempre de ti.

Autor :José Agostinho Baptista
Esta voz é quase o ventoAssírio & Alvim, 2004
Foto:
alessandraa

2 comentários:

A.S. disse...

Beatrice,

Assim é o reverso da euforia, o lugar de uma luz gelada que fixa os recortes da vertigem, um rosto cansado que enfrenta a sentença das pequenas horas...

Um beijo!
AL

Vieira Calado disse...

Olá, boa noite!

Passei para ver as novidades.

e desejar bom fim de semana.

Bjs