domingo, 30 de outubro de 2011

Nada mudou



Nada mudou.Ao fim de tantos anos, o meu
passado é ainda o mesmo passado –nenhum
rosto diferente para desviar o rio da memória,
nenhum nome depois. Para te esquecer,

devia ter partido há muito tempo.como viajam
as aves de verão em verão.E tentei; mas as malas
abertas sobre a cama eram livros abertos, e eu
nunca fechei um livro antes do fim. Por ter

ficado, nada mudou jamais –e o meu passado é
ainda o nosso passado; e o rosto que tinha antes
de me deixares é o que o espelho me devolve no
presente…

Autor Maria do Rosário Pedreira
Foto: anna66

3 comentários:

mfc disse...

A beleza permanece... na escolha do poema e da imagem!
... e no bom gosto da junção!

heretico disse...

serena dávida - a do amor...
ainda que o livro fique aberto. em página dorida...

beijo

Mar Arável disse...

... entretanto...

tudo se move