sábado, 4 de outubro de 2008

Noite

Eu vivo
nos bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.
Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.
São bairros de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.
Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.
Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.
Também a noite é escura.

Autor:Agostinho Neto
Foto: bornslippy

2 comentários:

Pavitra disse...


sim, a noite é escura
e fértil e dada a poemas...

e desse eu gostei muito!

Átila Siqueira. disse...

Que poema maravilhoso, eu adorei. É tão escuro, me lembra Augusto dos Anjos, ou Álvares de Azevedo, embora fale mais também de questões sociais, de uma escuridão proveniente também da falta de perspectiva das pessoas.

Eu adorei.

Beatrice, estou deixando um presente para ti lá no meu blog, passe e dê uma olhada, depois me diga se gostou.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.