domingo, 7 de setembro de 2008

a casa onde às vezes regresso

a casa onde ás vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos

.
durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo
.
tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração
.
Autor:José Tolentino Mendonça
Foto:Stefers

1 comentário:

Pavitra disse...

"a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar"


o poema inteiro é lindo, mas esses versos que destaquei passaram mesmo a impressão de algo imenso... imenso!

gostei muito!

beijos, beatrice