sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Palavras graves

Tão difícil colocar a voz no chão e andar.
Descer às sílabas simples das coisas, à plana
brancura dos significados claros. Crescem as
razões do peito que não quer ser casa, crescem
loucas, inventadas à pressa na pressa
da fala: tecto danificado, paredes frágeis,
buracos no soalho. Palavras, nada
mais. Palavras graves e provas inúteis.
Um dicionário de obstáculos a cobrir-se
de pó na parte mais funda da vida.

Autor : Virgínia do Carmo
Imagem: Willie Kers

2 comentários:

brancas nuvens negras disse...

Poema de muita qualidade. Obrigado.

Agnieszka Mikołajczyk disse...

Witaj serdecznie Cię pozdrawiam piękny wiersz.