sábado, 25 de julho de 2015

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julie de waroquier

entro pela primeira vez no quarto onde
fechaste a porta devagarinho e foste
morrer de mim como se morre
de doença que ninguém espera
e por momentos ainda acredito que
o nosso tempo é este que o relógio guarda
embora saiba que nunca
há relógios certos para o tempo
de quem nos abandona
e as sombras que as persianas desenham nas paredes

servem apenas para tentar salvar a vida de quem
vai regressar em teu lugar

e nem entende por que o chamaram

Autor : Alice Vieira
in OS Armários da Noite(Caminho 2014)

3 comentários:

Ana P disse...

Gosto tanto deste poema...

Pintor de Palavras disse...

há sempre um tempo se o desejarmos...

Majo disse...

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~ ~ ~ Excelente! ~ ~ ~
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