domingo, 4 de dezembro de 2011

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Pedem tanto a quem ama: pedem
o amor. Ainda pedem
a solidão e a loucura.
Dizem: dá-nos a tua canção que sai da sombra fria.
E eles querem dizer: tu darás a tua existência
ardida, a pura mortalidade.
Às mulheres amadas darei as pedras voantes,
uma a uma, os pára-
-raios abertíssimos da voz.
As raízes afogadas do nascimento. Darei o sono
onde um copo fala
fusiforme
batido pelos dedos. Pedem tudo aquilo em que respiro.
Dá-nos tua ardente e sombria transformação.
E eu darei cada uma das minhas semanas transparentes,
lentamente uma sobre a outra.


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Autor: Herberto Helder 
Foto Keita

3 comentários:

mfc disse...

Um poema de dádiva e de amor, que me tirou um sorriso no seu final!

Mar Arável disse...

Excelente sempre

heretico disse...

purificação - pelo fogo ardido!...

com Helberto Helder há sempre uma leitura que (nunca) foi feita...

excelente.

beijo