sábado, 21 de março de 2015

Diz-me

Lyubomir Sergeev


Diz-me.
Que o mundo enlouqueceu.
E que afinal,
todos os sonhos são possíveis.
É só preciso querer.
Voar.
E tocar a luz dos loucos,
dos que caminham à procura.
Da verdadeira essência,
que vive na luz de quem se interroga.
Para saber.
De si e dos outros.

Autor : Ana de Melo

quinta-feira, 19 de março de 2015

Tu nunca irás saber

Julie Waroquier

Tu nunca irás saber
Da saudade
que se adensa no meu peito
agora que não me escreves
e já não te posso ler
Tu nunca irás saber
Das rosas
que perfumam os meus sonhos
quando sentada junto ao mar
eu penso em ti
Tu nunca irás saber
Da tristeza
que anoitece o meu olhar
Das minhas mãos despidas de alegria
onde a dor da tua ausência vem pousar
Tu nunca irás saber…


Autor © Isaura Moreira

segunda-feira, 16 de março de 2015

É por ti que se enchem os rios


É por ti que se enchem os rios
de carpas azuis,
de águas que querem saltar
pela minha janela.
Como é belo este silêncio ilimitado
quando nas copas redondas das árvores
o teu nome me chama.
Pedi-te que apagasses a lua
e que nos campos tacteando te encontrasse.
Sei-te na aurora, por isso não temo
e agora a lanterna dos dias pode
por fim ficar em ventos de abraços.
Voam aves dentro dos teus sonhos
como memórias de pétalas acordadas.
Ficas ancorado dentro do meu tempo.
Não há saudade nem solidão
que se não derrube.


Autor © Lília Tavares.

domingo, 15 de março de 2015

Obsessão Conivente

Felicia Simion

A surpresa que me assalta
todos os dias e a cada hora

nada tem a ver com estas coisas
dos desamores sem lugares
e outras circuntâncias

a surpresa que me assalta
tem sempre e conivente

o teu olhar

Autor: Joaquim Alves

sábado, 14 de março de 2015

Metade Maior

TJ Scott

A metade que me abraça
à lua desalinhada
e ao mar nascente,
pode ser um poema ao vento
ou um barco esquecido
num mar pequeno.
A metade que me abraça
no vento que fustiga as areias
na transladação dos céus,
pode ser um recital de sorrisos
ou uma caixa de cinzas
em ventania e temporal.
A metade que me abraça
no silêncio das minhas mãos
é a ilusão da certeza
e o início sem retorno.
A metade que me abraça
é a metade maior
é a metade sonhada
e a eterna poesia.


 Autor © António Carlos Santos

sexta-feira, 13 de março de 2015

De Repente



Kayleigh June


Vieste quando eu não te esperava.
 Partiste quando eu mais te precisava.
 Demoraste tanto a chegar
 E levaste tão pouco tempo para ir.
 Levaste tanto de mim
 E deixaste tão pouco de ti,
 Em vagos detalhes que ficaram contidos,
 Nesta saudade,
 Neste vazio,
 Nesta lembrança.

Autor.  Aluísio Cavalcante Jr.


quinta-feira, 12 de março de 2015

rasguei a minha identidade...

Julie de Waroquier


rasguei a minha identidade…

perco-me em caminhos não percorridos
abandono sonhos esquecidos na poeira da estrada,
tropeço no acaso de beijos de amantes extasiados
e embriago-me na loucura do desejo…

perco-me deslumbrada com o brilho das luzes
abandono-me em labirintos espelhados
de pedras faiscantes ,dispersas no vazio
e embriago-me no teu corpo morno na noite sem cor…

perco-me, tropeço, caio numa praia sem nome
rasguei a minha identidade e já não sei quem sou…

Autor:Ana Cristina Macieira 15-5-2012

sábado, 7 de março de 2015

De volta

Eric Wallis

De volta
Escuto no silêncio
Os nossos beijos
Que perduram nos teus olhos
Que revivo
Sem descanso
Saboreio a tua voz
Que me enlouquece
À espera do teu corpo
No cais do teu canto
Que amanhece

Autor: Nilson Barcelli © Dezembro 2005

quinta-feira, 5 de março de 2015

Pedaços



Nada mais triste
Do que a história do fim de um amor,
Para quem parte,
A dor imensa de ter amado de menos,
Para quem fica,
A dor sem limites de ter amado demais.

Autor : Aluísio Cavalcante Jr

segunda-feira, 2 de março de 2015

Descalço eu destruo o calçamento com meus pés de chumbo


Descalço eu destruo o calçamento com meus pés de chumbo.
Sobre a minha construção eu defeco cimento cinza.
Ou revisto o chão do meu quintal com caveiras (cabeças) de todo o mundo.

Um vírus letal destrói os neurônios de minha cabeça.
O mundo que eu construo não piso descalço pois são espinhos de aço.
Sobre o meu chão uma poça de sangue.

Construo cabeças em meu mundo cruel.
Construo calçadas e sobre elas eu defeco.
Paralelepípedos que me lembram colmeias mas sem abelhas e mel.

Descalço ando pelo chão do meu mundo destruído pela bomba da inveja.

Autor : André Francisco Gil