domingo, 13 de julho de 2014

O dia apagou-se


O dia apagou-se.

Algures,
a noite invadiu um  quarto vazio,
onde um corpo se contrai
num fogo
carente de ternura
como água fresca a germinar
duma nascente.

Os pássaros dormem nos seus ninhos.

BeatriceM 2014-07-13

quinta-feira, 3 de julho de 2014

leio-te

Samantha Lamb

Leio-te em vão,
nas páginas de um livro, que sei que escreveste,
mas que não habitaste,
assim vou, às cegas, sem farol e sem rumo,
nas sombras de mim,
que pinto de afectividade e luz,
e  remeto para o céu e assim iluminar a estrela,
em que te transformaste.

domingo, 15 de junho de 2014

aos poucos

pietjek29


aos poucos afasto-me,
escondida ando nas águas frias,
em que não queiras nunca encontra-me,
ficarei (apenas) nas reminiscências,
minhas e tuas.

BeatriceM 15/06/2014

quinta-feira, 12 de junho de 2014

a

aniawojszel

a liberdade de mim, está na beleza,
daquilo que eu quero ver,
e simplesmente sentir.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Tulipas

Bary:)

sonhei que me mandavas flores,
sim!
foi mesmo um sonho (bom).

BeatriceM

domingo, 1 de junho de 2014

dia da criança


devagar, rendida ao leve toque da tua mão,
era assim,
que hoje gostava de me sentir.

domingo, 25 de maio de 2014

Em Maio


 Em Maio de um ano que não esqueci,
atravessei de mão dada contigo,
aquele domingo.

Deste-me pouco, e eu nunca tinha recebido tanto
todo o meu corpo ressentiu-se,
e entrou em delírio.

Depois todos os domingos,
passaram a ser apenas domingos,
sempre iguais e silenciosos.
.
BeatriceM

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Espera

Pier Toffoletti


Doí-me a ambiguidade,
do encontro que não marcamos,
e vai doer até ao momento da chegada.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

todos os dias

todos os dias, renovo as minhas esperanças,
e se não há o verde, eu procuro outras cores,
nas vozes que me ciciam interiormente.
.
BeatriceMar 28-04-2014

domingo, 27 de abril de 2014

Soneto do amor e da morte


Vasco Navarro da Graça Moura
Foz do Douro, 3 de Janeiro de 1942
 Lisboa, 27 de Abril 2014


quando eu morrer murmura esta canção que escrevo para ti. quando eu morrer fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Autor : Vasco Graça Moura
in "Antologia dos Sessenta Anos"