domingo, 3 de junho de 2012

Ocaso




Não sei que areias me levam neste lacónico
ocaso de nós
não sei que sentires negamos, sempre
enquanto a areia nos calcinava os pés.

Não sintas palavras que a brisa levou
e
vem pela tarde ao pontão da praia
dançar comigo na areia.

E deixa que o beijo nos queime
no ocaso de nós.

BeatriceM





domingo, 27 de maio de 2012

Momentos



Há momentos esquisitos e dias ainda mais. Os pensamentos tornam-se misantropos e só ambicionamos hibernar. Não encontramos sentido nas coisas, não existem cores, nem fragrâncias. Nem nada que nos prenda a alguma coisa.

Há dias assim, em que morremos aos poucos e nem nos apercebemos.

E não devia ser assim.
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Beatrice

sábado, 26 de maio de 2012

....




Amélia Pais
1943-2012

“Penso em ti como um desejo interrompido 
que se teceu na minha memória.
E sonho-te mais do que te recordo. 
Seleciono. Invento-te um nome, um rosto. 
Reconstruo. Reconstruo-te. 
Peça a peça. 
Minuciosamente – real ou irreal, 
- Assim te lembro.” 

Autor:Amélia Pais

domingo, 20 de maio de 2012

meu amor


meu amor.  não te devia chamar assim.  talvez nos caminhos do sul as papoilas te façam lembrar de mim.  talvez. porque não sei os caminhos que te levaram para longe, porque nem eu podia fazer parte desses caminhos.  a vida é fácil para quem ama e foi isso que eu nunca entendi.  aliás nem quis entender. meu amor.  se nos caminhos do sul souberes um dia as cores das manhãs que existem – ainda – nos meus sonhos, então é que também ainda subsiste resquícios de mim em ti.   e só isso interessa.

Autor : BeatriceM
Foto : Lara3

domingo, 13 de maio de 2012

Piano em silêncio


Bernardo Sassetti
24 de Junho de 1970
10 de Maio de 2012
.
As trevas a deambularem
no vazio do tempo
é tarde o silêncio 
nas teclas do piano
as poeiras são fragmentos
de mágoa
exaustas na demanda da 
partitura que ainda lá está
à espera dos teus dedos.

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Autor :Beatrice

domingo, 6 de maio de 2012

e ...


sonhei teu corpo, depois de conhecer teu rosto.  chamei, teu nome, antes  mesmo de mo dizeres.   por vezes olhava-te e pensava que tu não eras real, que eras uma imaginação da minha mente perturbada.  eu seria apenas uma mariposa em redor duma luz, que os teus olhos lampejavam.    pensei. sonhei. sem saber discernir o sonho e o pensamento.  a realidade.   a utopia.  sonhei.   ainda sonho com o teu beijo e o fim das alvoradas.

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autor :BeatriceM  2012-05-06
foto: Paulo César

domingo, 29 de abril de 2012

...




gostava de voar, mas as asas por vezes frágeis cortavam-se por entre o improvável voo , vezes outras, eram pesadas demais, nesses dias vogava pelo sonho e aspirava o aroma da maresia do mar .  um dia experimentou chorar e não gostou do sabor a sal das lágrimas. desde esse dia criou um palco de alegrias onde,e, só o sorriso tem lugar.
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autor: Beatrice

 Foto : Srebrna Kropla

domingo, 22 de abril de 2012

Linho,que desalinho


Linho, que desalinho!
Como te invejo, maganão!...
Alcanças tu, atrevido
Onde não chega a minha mão...

Andas prá aí todo ufano
Em rimas de poesia...
Tomas por arte o engano
E por louca a fantasia...

Quando devias, é certo
Ser apenas alvura
E deixares a descoberto
A doce formosura
Em resguardo deitada
Abrindo-se como uma rosa
Ao perfume da madrugada...

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Autor : Senador

domingo, 15 de abril de 2012

Há Palavras


Talvez um dia eu ouça as palavras que eu imaginei e nunca me disseste, não é um exercício da minha mente nem tão pouco um desejo que mantenho. Talvez seja apenas um segredo que guardei no silêncio, da partilha dos corpos e que nunca falamos. Há palavras que não são ditas em voz altas. Há palavras que se desenham no olhar.
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Autor:BeatriceM
Foto:LAQ

domingo, 1 de abril de 2012

Que Fizemos


Que fizemos dos nossos sonhos, e dos
beijos que trocamos, quando nada era proibido
e tu vinhas à noite por entre as árvores da praça
e eu esperava-te no café da esquina.

Hoje somos dois estanhos que se refugiam
na melancolia dos dias, e quando te procuro
com o olhar por entre as árvores da praça
é apenas uma sombra que imagino.

mas nunca és tu

Autor : Beatrice
Foto: absentia